Vivemos vidas emprestadas através do ecrã do telemóvel, onde colorimos o que queremos e metemos um filtro para embelezar. Cobiçamos as vidas alheias e julgamos sem remorsos. Escondemo-nos por detrás de um ecrã que nos confere a atitude de deuses do Olimpo. Mergulhamo-nos de tal fora no virtual que nos esquecemos do que está a nossa volta e negligenciamos a família, os amigos, o mundo e mais importante: nós próprios. Esquecemo-nos de viver a nossa vida porque estamos demasiado ocupados a viver a vida dos outros. Pensamos demasiado na opinião dos demais sem sequer formarmos a nossa primeiro. Aprendemos a andar em rebanho seguindo as tendências e as modas, sem nunca sabermos verdadeiramente o que é ser original. Fazemos um Photoshop à nossa vida para parecermos mais interessantes, para que gostem de nós, para termos mais seguidores. E confundimos seguidores com amigos. Trocamos a amizade pela massagem ao ego. Somos as vítimas auto-infligidas de uma sociedade que de social começa a ter muito pouco. Porque cada vez mais nos sentamos todos juntos num pretexto para café e passamos mais tempo de cabeça baixa dentro de um monitor que a olhar nos olhos das pessoas que estão connosco. Descuidamos a interacção e as ligações interpessoais acorrentados à necessidade da password da internet, com a desculpa de que não podemos estar desligados do mundo, quando esse mesmo mundo está à nossa volta e não dentro de uma qualquer máquina.
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quinta-feira, janeiro 24, 2019
domingo, dezembro 20, 2015
Acabei de ver a série The Beautiful Lie
1ª temporada
Sinopse:
Escrita por Alice Bell e Jonathan Gavin, a série é baseada em Anna Karenina de Tolstoy. A acção passa-se nos dias de hoje em Melbourne, sendo que a aristocracia da Rússia foi substituída pela versão própria da Austrália da aristocracia: as antigas lendas do desporto.
Sarah Snook interpreta Anna Ivin (Karenina no romance de Tolstoi), uma campeã de tênis casada com Xander (Rodger Corser), outro campeão de tênis e um dos desportistas favoritos do país. As coisas entre o par parecem bastante confortáveis e relativamente felizes, mas quando Anna conhece Skeet du Pont (Bento Samuel) num aeroporto, há uma faísca imediata que ela não sentia há anos.
Quando Anna e Skeet testemunham um acidente horrível em conjunto, forma-se uma ligação que faz com que Anna comece a reavaliar as suas escolhas de vida e o seu relacionamento com Xander.
(In)confidência:
Uma série de drama australiana simplesmente deliciosa que nos leva pelos meandros do amor e das suas complicações nos diferentes tipos de relacionamentos. Esta série, baseada no romance "Anna Karenina" de Leo Tolstoy, tem, para mim, um dos melhores inicios de série que eu já vi, assim como uma das melhores definições de amor, que vos deixo aqui:
"Love is just like people really. Love is born, it grows, it changes. Love ages, it dies. Some love transcends life. Love can be strange. Love is familiar. Love can be broken, it can be fixed. Love can be lost and then found again. All I know is: love is what you make it. Love can come in and out of your world without warning. Just like people."
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segunda-feira, dezembro 07, 2015
E hoje foi dia de concerto de natal com o Harlem Gospel Choir =)
Sinopse:
"Harlem Gospel Choir are Angels in Harlem". Foi assim que Bono Vox, vocalista dos U2, descreveu aquele que é provavelmente o melhor coro Gospel do Mundo.
É certamente o mais conhecido, relevante e aclamado, tendo já cantado ao lado de ou para gente tão importante como Nelson Mandela, o Papa João Paulo II, Paul McCartney, Diana Ross, U2 ou Gorilaaz, entre tantos outros, há quase três décadas de história.
Pelo sétimo ano consecutivo, o Harlem Gospel Choir troca Nova Iorque por Portugal para nos trazer o concerto de Natal mais emblemático da música Norte Americana, com os hits que se fazem ouvir nas ruas, parques, casas e igrejas da Big Apple. Desta vez apresentam também um tributo especial a B.B. King, celebrando a memória do músico.
O convite é para viver o espírito de Natal à Americana, em família, com grande energia, espectáculo e ao som dos melhores hits do Harlem Gospel Choir.
(In)confidência:
(In)confidência:
Se forem como eu, o espírito de Natal começa-vos a invadir os pensamentos mal entramos em Dezembro, e foi com estes pensamentos em mente que com muita ansiedade esperava por dia 7 de Dezembro para poder assistir ao Harlem Gospel Choir no Coliseu dos Recreios em Lisboa.
Não sendo esta a primeira vez que tenho a oportunidade de poder assistir a um concerto deles, sabia bem o que me esperava e foi com muito entusiasmo que vi a cara das pessoas que os iam ver pela primeira vez e como rapidamente entraram no ambiente de celebração natalícia que se desenrolou à sua frente.
Como é habitual, os Harlem Gospel Choir contribuem muito para a Operação Sorriso e é assim que ajudam muitas crianças, revertendo parte das vendas de cds para ajudar a causa. Nesse contexto foi assim que foi convidada a subir ao palco uma criança para receber uma pulseira e poder estar em palco durante uma das suas performances. E posso dizer que são este tipo de pormenores de convívio que faz com que o público se entregue ao espectáculo e que sinta que faz parte do mesmo, sendo convidados a cantar, dançar, bater palmas e até participar em arranjos vocais. Um verdadeiro espectáculo de Natal.
Mas a verdade é que um coro só é tão forte como o seu elemento mais fraco e tendo esta ideia em mente, rapidamente percebemos a qualidade dos Harlem Gospel pois não existe um único elemento fraco. Mais, todos os elementos do coro tiveram os seus momentos a solo e alguns deles até interpretaram à cappella, mostrando um enorme poder vocal que deixou o público em êxtase.
No primeiro momento de tributo foi criado um medley para homenagear o compositor BB King que despertou muitas emoções e nos fez lembrar o verdadeiro espírito de Natal, a celebração e a partilha de momentos com a família e todas as pessoas importantes na nossa vida.
Depois de 15 minutos de intervalo passámos ao segundo momento de tributo, desta vez, dedicado a Whitney Houston, que dispensa apresentações, celebrando os seus grandes sucessos e a sua grande voz. E esta foi uma ponte perfeita para a parte final do espectáculo, e indiscutivelmente a parte que muitos no público mais esperavam: os christmas caroling. Aqui foi possível apreciar versões diferentes de musicas como Silent Night, e Hark the Herald Angels Sing, que despertaram momentos de grande ternura visto estas serem algumas das mais marcantes músicas de Natal de sempre.
E para finalizar uma grande noite o coro convidou 2 pessoas do público para ajudar a traduzir mensagens de Natal para o público português e também para ajudar a cantar o clássico do Gospel Oh Happy Day! e o clássico de Kool & the Gang: Celebrate, fazendo assim com que o palco fosse literalmente invadido por várias pessoas e crianças, criando um momento de festa irrepetível que vai certamente ficar na memória dos participantes.
Uma noite emocionante e cheia de sentimentos de união que ajudam a espalhar o espírito de Natal por todos nós e que certamente vão ajudar cada um de nós a espalhar também um pouco desta magia. Ficando todos aqueles que lá estavam a aguardar até ao ano que vem para poderem mais uma vez ver O World Famous Harlem Gospel Choir.
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Opinião - Comic Con Portugal - 4, 5 e 6 Dezembro 2015 @ Exponor - Matosinhos
Nesta segunda edição de tudo o que é cultura pop, a Comic Con regressou à Exponor em Matosinhos para mais um fim de semana de jogos, filmes, séries e muito cosplay. Mais uma vez as filas de entrada estendiam-se muito para lá dos portões de entrada, podendo ter uma pequena amostra do ambiente que nos esperava. Este ano a organização dos espaços e dos auditórios passaram por uma enorme melhoria! Espaços mais amplos e melhor definidos ajudaram a melhor direcionar o público para os seus temas prediletos, melhorando substancialmente a circulação e ajudando a eliminar alguma confusão criada pelo grande número de pessoas que se aglomeravam em especial nestes espaços do evento. Estes estavam bem divididos e sinalizados, havendo um pouco de tudo para todos, até mesmo para os mais novos. E apesar de estarmos na presença da mais nova geração de fans do Star Wars, é bom ver que as crianças ainda apreciam os clássicos infantis enchendo os espaços do Canal Panda e da Lego. E era aqui, no espaço Lego, que se pôde ver o grupo Improvio Armandi regularmente a improvisar histórias de Natal para os mais novos dos padawans.
Um dos espaços com maior expressão foi sem dúvida o espaço gaming, onde grandes marcas da indústria mostraram as mais recentes tecnologias, sendo que também patrocinaram e ajudaram a organizar torneios de vários jogos de video, que serviram também como demonstrações sendo transmitidas em grandes ecrans atraindo assim muitos observadores que aproveitaram para participar nos muitos passatempos e giveaways que aconteceram durante este fim de semana.
Uma das novidades da edição da Comic Con deste ano foi uma casa assombrada que teve uma enorme adesão do público e por boas razões! A boa qualidade dos adereços e ambiente, já para não falar dos actores, deixaram todo o público que por lá passou a saber que ali era um local onde se gritava... alto e com força.
Houve também um outro sitio onde se podiam ouvir alguns gritos, mas estes eram apenas gritos de espanto e excitação ao ver muitas das coisas que as bancas das melhores lojas da Europa tinham em montra: desde roupas, a adereços, a bonecos, a porta-chaves, a de tudo um pouco, fizeram com que houvesse alguma coisa para qualquer pessoa.
Os espaços que mais pessoas atrairam foram claramente os auditórios onde se puderam ver painéis com algumas das maiores estrelas das mais famosas séries e filmes, tais como: Jonh Noble, Cameron Boyce, Linden Ashby, Tara Reid, Shanon Elizabeth, entre outros. Este foram momentos que criaram situações memoráveis com algumas perguntas estranhas, e por vezes, algumas respostas ainda mais estranhas. Mas, apesar de todos estes espaços, a verdadeira festa deu-se nos corredores onde inúmeras pessoas faziam cosplay e encarnaram as suas personagens favoritas, quer essas fossem de animes quer fossem de video jogos e até mesmo de séries de TV, sendo muitos os Sasukes, Ichigos, Pikachus Obi Wans e Vault Dwellers com Pipboys nos pulsos a desfilar pelos stands de venda. Já nos stands publicitários muitos aproveitaram para poder tirar algumas fotografias fantásticas com modelos e réplicas em tamanho real de alguns dos maiores hinos da cultura pop, podendo escolher entre sentar no Iron Thorne ou no DeLorean do Regresso ao Futuro, podendo até tirar uma foto à là superheroi com uma simulação de uma selfie a centenas de metros de altitude.
Em todo o lado se podia ver que a mera menção das palavras Star Wars punha o público em estado de sítio. A antecipação de algo tão esperado num evento como este foi algo quase palpável e muito demarcado especialmente quando a Legião 501 fazia as suas famosas incursões por todo o recinto, criando uma verdadeira Imperial March, encabeçada pelo próprio Darth Vader e seguido pelos seus stormtroopers, mostrando os seus prisioneiros ao público e voltando depois à guarda da réplica em tamanho real de um tie-fighter onde muitos fans puderam tirar fotografias com as suas personagens preferidas do Star Wars com o bónus de o poder fazer com esta nave à qual era impossivel não olhar com espanto e admiração.
Foi por todas estas razões e mais algumas que a Comic Con Portugal foi um fim de semana de sonho para os amantes da cultura pop e não só, deixando muitos momentos gravados nas memórias de todos. Esta foi sem dúvida o expoente da celebração de individualidade ligada pelos gostos comuns dos muitos geeks, nerds, otakus e fan boys que puderam todos juntos encontrar um espaço de expressão livre e onde todas as inside jokes possiveis e imaginárias se encontravam debaixo o mesmo tecto, na Comic Con Portugal na Exponor em Matosinhos.
Fotografias Cosplay:
Star Wars no seu melhor
Ui, cuidado com eles!!
Maya (Borderlands 2) * Kougyoku Ren (Magi)
As mulheres a dominar na Comic Con Portugal
Harley Quinn * Captain America
Ezreal e Lux (LOL)
Mafia Graves * Capuchinho Vermelho
Dr Who * Rin (Vocaloid) * Loki
Sophie (Moving Castle) * Moxxi (Borderlands 2)
Cosplay no feminino
Shimometa: A boring world where the concept of dirty jokes doesn't exist
Annie e Tibbers (LOL)
Fada Madrinha * Super Mário
Hércules * Alien
Pelos vistos, Chapeleiros há muitos =)
Jinx e Vi (LOL)
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quarta-feira, dezembro 02, 2015
Hoje foi dia de "Allo Allo" =D
Sinopse:
A acção passa-se durante a ocupação alemã no decorrer da II Grande Guerra Mundial, no Café René, que está, a partir de agora, novamente aberto!
O café vai ficar cheio de alemães para com quem René tem de ser... simpático, depois chega a sua mulher com quem René tem de ser também... simpático, depois as suas empregadas de mesa, Mimi e Yvette com quem René… gosta de ser simpático, principalmente quando a mulher não está por perto. No piso de cima está a sogra de René com quem ninguém gosta de ser simpático.
Um café bastante normal no tempo de guerra em França, podem vocês achar. Mas não se deixem enganar. Na adega do café estão escondidos dois oficias britânicos, aviadores. Se os Alemães os descobrem... René será fuzilado! Na cozinha está pendurada uma salsicha alemã em decomposição, que contém o retrato valiosíssimo da Madona Caída com Grandes Mamas, executado pelo grande mestre pintor de grandes peitos Van Klomp. Está escondida para os alemães, mas, se a Resistência descobre... René será fuzilado! E, se a mulher descobre que René tem um caso com a Mimi, será fuzilado! E se a Mimi descobre que René tem um caso com a Yvette ela fuzila-o, assim como o fará a Yvette se souber do caso com a Mimi.
A esperança de vida de René é praticamente a mesma de alguém que já está morto. Mas não vai ficar por aqui... ainda muitas coisas vão acontecer... Talvez até o próprio Hitler apareça... Tudo por causa de uma Madona Caída com Grandes Mamas!
(In)confidência:
(In)confidência:
Ouçam com atenção, só vou dizer isto uma vez. Esta é uma peça inspirada no programa de televisão da BBC com o mesmo nome, e se forem como eu sabem que a história gira à volta de um dono de café, René Artois, numa França ocupada pelos alemães em plena 2ª Guerra Mundial. Acompanhado pela sua mulher Edith e pelas suas empregadas de mesa (e com funções extra de entretenimento para os soldados alemães) Yvette e Mimi, René esconde 2 aviadores britânicos até estes poderem ser resgatados pela resistência francesa, para a qual o seu café é o ponto de comunicação com as forças aliadas. Como se não fosse pressão suficiente, o seu café é também o ponto de encontro e de lazer para as tropas alemãs, e René vê-se responsável por guardar a pintura da Madonna Caída Com Grandes Mamas para o Coronel Kurt Von Strohm.
René rapidamente entra num mundo de disfarces ridículos, escapadelas com as empregadas, comunicações secretas com a resistência francesa, escapadelas com as empregadas, conspirações secretas com as tropas alemãs, escapadelas com as empregadas, medo de ser fuzilado e escapadelas com as empregadas.
Esta é uma descrição muito redutora de uma série de televisão que esteve no ar durante 10 anos, mas é a história geral. Esta é a dificuldade de incluir 10 anos de conteúdo em 2 horas de espectáculo, no entanto, na peça em cena no Teatro da Trindade Inatel, esta descrição é feita muito eficientemente, mas como é evidente conhecimento prévio das personagens e enredo torna a experiência muito mais profunda.
E com o conhecimento sobre a série, esta peça torna-se como uma avaliação da caracterização das personagens e quão parecidas estão estas com o material original, assim, só tenho a apontar o susto que apanhei com a apresentação de Herr Flick da Gestapo, pois na sua primeira cena não estava com o seu característico sobretudo e chapéu negros, mas aparentemente foi apenas na primeira cena e todos os personagens (Herr Flick incluido) estavam muito bem caracterizados e todos os maneirismos e chavões estavam definidos de forma excelente.
Com um elenco repleto de atores conhecidos tais como João Didelet (René Artois), Elsa Galvão (Edith), José Carlos Pereira (Herr Flick), Susana Borges (Helga), Oceana Basílio (Michelle), entre outros, qualquer sessão desta peça (em cena até 27 de Dezembro) será certamente uma viagem nostálgica pelos caminhos das nossas memórias que nos levará sempre de volta àquele café em Nouvioun, sempre ao som do acordeão.
sábado, novembro 14, 2015
Hugo Rosa é... MUITO MAIS ...do que o gajo dos cartazes @ Teatro Villaret xD
Sinopse:
Hugo Rosa é “Muito Mais” do que o “gajo” dos cartazes. No dia em que celebra seis anos de carreira, apresenta um espectáculo de stand up comedy que cobre temas tão variados como a sua passagem pelo "Got Talent Portugal", os direitos dos homens e o seu gato. Está em cena no Teatro Villaret, em Lisboa.
Depois do sucesso da participação no "Got Talent Portugal", onde o seu vídeo se tornou viral ao ser visto por mais de um milhão de pessoas em Portugal (e outro milhão na Polónia), o Hugo Rosa vai agora dissertar de uma forma humorística sobre o acontecimento televisivo que marcou o início do ano e, pelo meio, proferir ainda barbaridades muito pessoais como “ofereci um gato à minha namorada, porque já não tenho muitas coisas para lhe oferecer que não sejam um anel de noivado”.
É uma oportunidade única de ver ao vivo, a revelação da comédia portuguesa de 2015, num espectáculo inédito que inclui também um "best of” do seu trabalho. O Hugo Rosa é um comediante imperdível, aclamado por Robin Williams (“Um dos melhores comediantes vivos em Portugal. 5 estrelas!”) e pela ex-namorada (“É um estupor, filha da mãe!”).
Stand up comedy escrito e interpretado por Hugo Rosa.
(In)confidência por Maria Ana Jordão:
(In)confidência por Maria Ana Jordão:
Hugo Rosa sabe bem a repercussão que a participação no ‘Got talent Potugal’ teve na sua vida, mas também sabe que tem mais para dar. E oferece um espectáculo harmonioso, em que há sintonia entre o trabalho desenvolvido anteriormente e o trabalho actual.
O comediante mantém o estilo de humor negro que o caracteriza e, num ambiente intimista, à semelhança do que tem feito ultimamente, universaliza as suas experiências pessoais criando facilmente empatia com o público que durante a sua performance o aplaude com gargalhadas.
Duas realidades cénicas dominam o seu espectáculo, num primeiro momento Hugo Rosa depois do video com mais de um milhão de visitas apresenta em formato digital o video da sua audição no 'Got talent Portugal' e, uma ou outra surpresa referente à sua passagem pelo programa. Num segundo momento, o comediante com a sua inquestionável presença toma conta do palco e conquista a plateia, principalmente, pela forma como conjuga a sua criatividade com acontecimentos, tão banais, como uma ida ás compras com a namorada. Num espectáculo interactivo Hugo Rocha proporciona momentos de descontracção.
Ao longo do seu espectáculo Hugo Rosa, procura não se decepcionar e não decepcionar!
Em palco percebemos que é um apaixonado pelo que faz, percebemos também que apesar do seu ligeiro nervosismo é bastante experiente e tem vindo a evoluir.
A nossa maturidade profissional, por vezes, deixa-se consumir pelo pessimismo e Hugo Rosa contrariou essa tendência, acreditando no talento que tinha, foi atrás da sua oportunidade para viver como comediante a tempo inteiro e, isso, por si só, merece o nosso aplauso.
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domingo, novembro 08, 2015
Acabadinha de sair do espectáculo de Guilherme Fonseca "Pessoa está de volta"
Sinopse:
É impressionante mas é verdade. Um escritor do séc. XIX e uma figura do jetset português conseguem, em apenas duas frases, resumir o espectáculo Pessoa na perfeição. Em Fevereiro de 2013 o guionista e humorista Guilherme Fonseca perdeu o seu pai e neste seu segundo espectáculo a solo disserta sobre o que se passou. Tudo isto numa hora de piadas sobre a vida, sobre a morte e sobre peidos. Atenção: nesta sinopse, quando se diz "perdeu o pai" é porque aconteceu um ataque cardíaco fulminante. Não é porque o Guilherme o deixou num sítio e agora não se lembra onde está. Isso seria estúpido. O espectáculo não é.
(In)confidência:
Dia 7 de Novembro Guilherme Pessoa levou ao São Jorge Comedy Club o seu show de comédia: Pessoa Está de Volta. E quem não sabia para que tipo de comédia vinha rapidamente foi elucidado pelo PowerPoint de apresentação: uma pequena peça que estabelece o tom da espectáculo - um tom muito negro.
Neste espectáculo, Guilherme Fonseca contou-nos como foi todo o processo de luto da morte do seu pai, que morreu em 2013. Porém, tanto Guilherme Fonseca como a sua família mostraram um luto feito de forma diferente, e, que de certa forma, gerou este espectáculo. Mostrou-nos que perder coisas durante a vida é muito diferente das pessoas que morrem durante a nossa vida, pois as coisas que perdemos na vida nós só não sabemos onde as deixámos. A morte de alguém próximo é um momento de viragem nas vidas dos que ficam para trás e cabe a cada um de nós perceber a melhor forma de lidar com a perda e seguir em frente. Além de nos ter mostrado este processo, Guilherme Fonseca mostrou também pequenos episódios típicos de todas as diligências necessárias relacionadas com a morte de alguém, agregando o facto de Guilherme Fonseca ser uma cara conhecida da televisão, o que fez com que estes episódios ganhassem outra proporção devido ao puro ridículo, que em retrospectiva, tornou tudo possível. Episódios como o ir reconhecer o cadáver do seu pai e o "policia estagiário" não conseguir discernir entre o profissionalismo e facto de estar presente a uma personalidade televisiva. Ou até mesmo episódios como palavras de condolência de pessoas que não têm noção do que dizem, ou o quão directas e frias podem ser as pessoas mais próximas da família. Muito negro e muito bem conseguido!
Celebrando a vida com o seu pai, Guilherme Fonseca contou-nos como foi crescer com a sua família, mostrando fotografias de momentos embaraçosos, outros de momentos curiosos e de união, e outros de pura humilhação. Mostrou-nos também alguns dos problemas da vida do seu pai e que de certa forma mudaram a sua vida familiar mas que o moldaram para ser a pessoa que hoje é. Momentos de carinho e de ternura misturados com muita comédia negra e também com muita comédia criada por situações reais.
Enquanto cómico Guilherme Fonseca tem um óptimo sentido de timing e delivery, criando pequenos momentos com o público, dominando as dinâmicas e criando momentos personalizados no seu espectáculo, que complementam o alinhamento e mostram um pouco como Guilherme Fonseca é como pessoa e de que forma processa as suas emoções e experiências. A sua aparência inocente e clean cut contribui muito para causar um choque de estilos, pois o espectáculo tem um tema muito forte e isso apanha os elementos do público desprevenido.
Um espectáculo com o tom ideal para os amantes do humor negro, mas também muito autobiográfico que nos faz pensar sobre a forma como encaramos a morte e suas consequências nas vidas dos que ficam, em suma, além de muito negro foi também muito inspirador. A ver mais vezes e de preferência, no mesmo registo.
(In)confidência:
Dia 7 de Novembro Guilherme Pessoa levou ao São Jorge Comedy Club o seu show de comédia: Pessoa Está de Volta. E quem não sabia para que tipo de comédia vinha rapidamente foi elucidado pelo PowerPoint de apresentação: uma pequena peça que estabelece o tom da espectáculo - um tom muito negro.
Neste espectáculo, Guilherme Fonseca contou-nos como foi todo o processo de luto da morte do seu pai, que morreu em 2013. Porém, tanto Guilherme Fonseca como a sua família mostraram um luto feito de forma diferente, e, que de certa forma, gerou este espectáculo. Mostrou-nos que perder coisas durante a vida é muito diferente das pessoas que morrem durante a nossa vida, pois as coisas que perdemos na vida nós só não sabemos onde as deixámos. A morte de alguém próximo é um momento de viragem nas vidas dos que ficam para trás e cabe a cada um de nós perceber a melhor forma de lidar com a perda e seguir em frente. Além de nos ter mostrado este processo, Guilherme Fonseca mostrou também pequenos episódios típicos de todas as diligências necessárias relacionadas com a morte de alguém, agregando o facto de Guilherme Fonseca ser uma cara conhecida da televisão, o que fez com que estes episódios ganhassem outra proporção devido ao puro ridículo, que em retrospectiva, tornou tudo possível. Episódios como o ir reconhecer o cadáver do seu pai e o "policia estagiário" não conseguir discernir entre o profissionalismo e facto de estar presente a uma personalidade televisiva. Ou até mesmo episódios como palavras de condolência de pessoas que não têm noção do que dizem, ou o quão directas e frias podem ser as pessoas mais próximas da família. Muito negro e muito bem conseguido!
Celebrando a vida com o seu pai, Guilherme Fonseca contou-nos como foi crescer com a sua família, mostrando fotografias de momentos embaraçosos, outros de momentos curiosos e de união, e outros de pura humilhação. Mostrou-nos também alguns dos problemas da vida do seu pai e que de certa forma mudaram a sua vida familiar mas que o moldaram para ser a pessoa que hoje é. Momentos de carinho e de ternura misturados com muita comédia negra e também com muita comédia criada por situações reais.
Enquanto cómico Guilherme Fonseca tem um óptimo sentido de timing e delivery, criando pequenos momentos com o público, dominando as dinâmicas e criando momentos personalizados no seu espectáculo, que complementam o alinhamento e mostram um pouco como Guilherme Fonseca é como pessoa e de que forma processa as suas emoções e experiências. A sua aparência inocente e clean cut contribui muito para causar um choque de estilos, pois o espectáculo tem um tema muito forte e isso apanha os elementos do público desprevenido.
Um espectáculo com o tom ideal para os amantes do humor negro, mas também muito autobiográfico que nos faz pensar sobre a forma como encaramos a morte e suas consequências nas vidas dos que ficam, em suma, além de muito negro foi também muito inspirador. A ver mais vezes e de preferência, no mesmo registo.
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sábado, novembro 07, 2015
Misty Fest - Lenine
Sinopse:
Em 2013, Lenine celebrou três décadas de carreira, marca séria na vida de qualquer cantautor. E são três décadas plenas, carregadas de conquistas. O artista brasileiro esteve o ano passado em Lisboa para uma importante apresentação no Rock In Rio, tendo dividido o palco com Rui Veloso e Angelique Kidjo. Foi, aliás, um ano intenso para Lenine que realizou o que designou como uma Turné Socioambiental, tocando e, sedes de importantes projectos sociais em todo o Brasil, e viajou para fora de portas levando o espectáculo The Bridge, com a orquestra holandesa de Martin Fondse, até aos Estados Unidos ou Alemanha, entre vários outros países. E agora, Lenine foca-se no futuro e no álbum Carbono, recheado de novas canções, que está a acabar de ser preparado.
Com dez álbuns em nome próprio, Lenine é sem dúvida um nome de referência, estatuto confirmado com a conquista de cinco prémios Grammy Latino e nove Prêmios da Música Brasileira. As suas canções foram gravadas por nomes como Elba Ramalho, Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Maria Rita, O Rappa, Zélia Duncan, entre muitos outros. Produziu também trabalhos de Maria Rita, Chico César, Pedro Luís e a Parede e do cantor e compositor cabo-verdiano Tcheka, além de bandas sonoras para novelas, series de televisão, filmes, espetáculos de dança e teatro. É sem dúvida um nome grande, da primeira linha da melhor música do Brasil. E quem já o ouviu cantar êxitos como “Paciência” (parceria com Dudu Falcão), “Jack Soul Brasileiro” ou “Hoje eu quero sair só” não lhe nega os aplausos que de facto merece.
(In)confidência:
(In)confidência:
Muitas eram as pessoas que já desde a confirmação de Lenine no Misty Fest 2015 o aguardavam impacientemente e marcaram todos dias do calendário até dia 7 de Novembro. Um artista com um portfólio invejável, com uma carreira de 30 anos e mais de 10 albuns.
Este foi um concerto muito mais inclinado para as músicas do seu mais recente albúm Carbono. O cantor apresentou-se com um cenário muito minimalista, apenas um microfone e as suas guitarras, e foi com os primeiros acordes que se deu inicio a uma noite cheia de fortes emoções, letras profundas, nostalgia e a uma enorme demonstração de talento por parte de Lenine.
Iniciando com algumas luzes ainda acesas, ajudando à intimidade do espetáculo e ao clima de carinho que se manteve durante a noite, rapidamente fomos transportados para um mundo de ritmos com muita influência brasileira que nos levaram numa autêntica viagem para climas mais quentes.
As letras de Lenine são de uma simplicidade profunda, concisas e arrebatadoras, e é por isto que prefere cantar em paises latinos. Ele diz que se perde muito na falta de compreensão das letras, perdendo assim alguma ligação do público com as suas músicas. Segundo Lenine: "É um prazer poder falar e ser compreendido".
Todas as músicas ganharam uma nova dimensão quando nos começaram a ser apresentadas como filhos do artista, uns mais novos, outros com idade para serem pais. Assim fomos apresentados a todos estes filhos de idades variadas, mas todos com muito para contar sobre a vida e preserverança. Sermos apresentados aos seus filhos daquela forma, foi apenas uma mera formalidade. O público já sabia todas as letras e fazia questão de acompanhar o artista, quer fosse com palmas, quer fosse respondendo e complementando as letras. E todos os finais de músicas foram tidos como finais de concerto, aplaudidos com tanto carinho que era impossível não ficar contagiado. Foram nestes momentos que Lenine demonstrou que estava ali simplesmente para o público, não tendo medo de parar músicas a meio para garantir que tudo estava perfeito, ou até mesmo para combinar com a plateia o melhor arranjo para a música. Profissionalismo puro!
Toda a gente na plateia mostrou o seu apreço por todos estes detalhes e por todas as emoções que as suas músicas despertaram durante todos estes anos de criatividade e talento. Este talento foi bastante visível durante todo o espetáculo, pois estavamos a ser presenteados com algo que, segundo o artista, "são as músicas enquanto nuas, despidas de arranjos, puras e sem compromisso".
Uma noite incomparável, carregada de sentimento e ritmo, que certamente vai andar a vaguear as memórias de todos durante muito tempo e que deu muita vontade de ter tempo para conhecer todo este vasto repertório que Lenine criou, e que certamente ainda irá criar.
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quinta-feira, novembro 05, 2015
Misty Fest - Mayra Andrade
Sinopse:
Mayra Andrade tem uma relação especial com o público em Portugal e essa relação sente-se nas colaborações que tem registado com artistas como Pedro Moutinho ou, mais recentemente, com António Zambujo com quem gravou um dueto de homenagem a Amália Rodrigues que a Universal em França elegeu para apresentar como single. Mas o carácter privilegiado da relação que mantém com o nosso país adivinha-se sobretudo nos aplausos que a aguardam sempre que por cá sobe a um palco, ocasiões sempre raras dada a amplitude da sua carreira internacional. Os concertos que Mayra Andrade se prepara para fazer no âmbito do Misty Fest, festival sempre dedicado a levar a melhor música às melhores salas e aos públicos mais exigentes, serão por isso mesmo ocasiões muito especiais: a 4 de Novembro subirá ao palco do Coliseu Porto, no dia seguinte, a 5 de Novembro, será a vez do Grande Auditório do CCB em Lisboa a aplaudir e a 7 de Novembro Mayra Andrade irá apresentar-se no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz.
Na bagagem, Mayra trará um concerto singular para Portugal, até porque as saudades apertam-lhe a alma: tem circulado recentemente pelo mundo com uma agenda carregada que a levou dos Estados Unidos e Canadá até à Alemanha, Áustria, França, Suíça, Turquia e Polónia. No ano passado viajou pelo Japão e Coreia, para dar apenas alguns exemplos mais exóticos, mas regressar a Portugal significa regressar a um país que bem conhece e que bem a conhece a ela. E daí o carácter particular destas apresentações. Ao Misty Fest trará por isso mesmo um alinhamento diferente, com passagem pelo seu trabalho mais recente, "Lovely Difficult", pois claro, mas também por material bem conhecido retirado de álbuns anteriores, incluindo os primeiros "Navega" e "Storia, Storia", de onde saíram alguns dos seus maiores êxitos que a afirmaram no plano internacional e a confirmaram no nosso país como uma das mais amadas vozes de Cabo Verde. Impossível perder.
(In)confidência:
Dia 5 de Novembro, num dos dias mais aguardados do festival Misty Fest, Mayra Andrade desfilou classe e talento no Grande Auditório do CCB. Não foi de espantar que Mayra Andrade actuasse para sala cheia, a antecipação estava no ar, e aquando da entrada da cantora em palco o público calorosamente a acolheu e pôde assim aproveitar um espetáculo que, segundo as palavras da cantora, foi o culminar de 2 anos de tourneé, regressando assim à cidade onde se sente muito mais criativa.
Com ritmos muito inspirados na cultura cabo-verdiana, os arranjos estavam também com fortes influências de Jazz, permitindo assim uma boa demonstração da ginástica vocal da cantora. Com o público a pedir cada vez mais da cantora, esta não desanpontou e cada vez mais demonstrou o seu poderio vocal.
Aquando a entrada da primeira convidada especial: Sara Tavares, o público estava apoteótico e acolheu-a numa calorosa salva de palmas, o que permitiu interpretar uma das suas próprias canções, Estrela Mãe, que em dueto com Mayra Andrade tornou a música ainda mais carregada de emoção. E emoção foi o que marcou o resto da noite, ficando como o momento da noite a entrada de Pedro Moutinho, para interpretar uma versão de Alfama que marcou o público de uma forma muito positiva, demarcando o talento de ambos os intérpretes e da própria canção.
Uma noite de talento, carinho e cumplicidade que certamente marcou mais do que um elemento do público e que deixa certamente muitas saudades. Saudades da voz, do ritmo, da melodia e das músicas que marcam uma das vozes mais talentosas que passou por esta edição do festival Misty Fest 2015.
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quarta-feira, novembro 04, 2015
Misty Fest - Dom La Nena
Sinopse:
Os elogios da crítica internacional não têm parado de distinguir a voz, a música, a postura e o trabalho de Dom La Nena. Soyo, o seu novo trabalho, levou o conceituado New Yorker a escrever que todas as suas canções “soam sagradas”.
O disco conta com produção do grande Marcelo Camelo, ele mesmo um artista de méritos mais do que reconhecidos em Portugal, e o cantor e compositor só tem palavras lindas para falar de Dom La Nena. Leia aqui o texto que Marcelo Camelo escreveu sobre ela:
“Dom é exemplo raro das contradições que carregamos. Uma menina doce de rosto franco e olhos determinados, que compõe com frescor germinal as canções que ainda queremos ouvir, canções sobre os sentimentos que nos são tão verdadeiros que as vezes escapam desapercebidos entre as luzes e presenças de apelo mais cintilante. Canções de leveza feminina, de olhar indireto, dos assuntos que se enredam no silêncio.
Tudo parece fazer os olhos correrem no mesmo sentido até ela se sentar ao pé do violoncelo e começar a arrumar-se pra tocar. As luzes diminuem, as cores se intensificam, as paredes se ajeitam, tudo vai tomando outra forma e o ar entre nós e ela se adensa. Seu rosto fica sério de um jeito a conseguir anunciar o que vem. Mas é quando o seu arco encosta nas cordas do violoncelo que você tem verdadeiramente o outro espectro de Dom em estado bruto. Pelo som que ele causa mas também pelo que o som causa nela.
As dualidades se entrelaçam, se enamoram, se confudem e transformam. Não somos capazes de isolar características nossas umas das outras. A compositora encontra a violoncelista que encontra a menina. Todas se tocam. Transformam-se mutuamente em cena criando uma visão destas que pode fazer parar o tempo.
E um tempo parado parece mesmo o apropriado pra ouvir o que ela tem a nos dizer. Uma história não daquilo que é absurdo e excepcional, mas daquilo que encontra seu caminho na sombra dos grandes acontecimentos. A verdade perene escondida injustamente dos menos sensíveis por alguma explosão oportunista. São nossas pequenas saudades, pequenos desencontros, as ausências que nos fazem mais humanos e mais reais.
Dei-me aos seus versos como se fossem meus, com carinho e identificação com ela e suas histórias. Fazíamos graça ao descobrir o samba ou algum dos seus desdobramentos em quase todas as músicas, logo ela gaúcha, crescida em Buenos Aires e residente em Paris. Fazendo ecoar ranchos e rodas de Jacarepaguá, meu bairro de infância no subúrbio carioca.
Fizemos isso no estúdio do meu compadre, com a presença do importante Jérôme, companheiro de Dom e muso dos seus feitiços. Embalados por um carinho mútuo e um volume de trabalho que fez as horas parecerem minutos.
!Assim como eu, naqueles dias de inverno todos em volta deste projeto sentiram-se envolvidos pela beleza das canções e pela fluidez com que elas decorrem. Todos se encantaram com Dom e seu mundo e eu me senti honrado e agradecido por estar dentro dele por um breve momento. Testemunhar as suas transformações e a sua alegria viva, poder dançar imaginariamente o samba que está em tudo que é bom, me fez também mais feliz.”
(In)confidência:
(In)confidência:
Dona de uma voz harmoniosa e melodiosa, Dom La Nena levou até ao pequeno auditório do CCB as músicas que cedo farão parte da minha conta iTunes. A performance apresentada trouxe ao palco um one woman show onde todos os arranjos eram conseguidos através da gravação de samples dos instrumentos à sua disposição: guitarra acústica, tarola e pratos, ukulele, sintetizador, entre outros. Certo é que o talento encheu o palco rapidamente e muitas foram as caras de surpresa quando Dom La Nena disse as suas primeiras palavras em brasileiro, depois de ter interpretado em espanhol. Muito bom!!
Apesar de claramente ser artista para poder ocupar palcos maiores, o público pôde assistir a uma sucessão de músicas muito inspiradas nos locais onde teve as suas maiores experiências: Buenos Aires, Brasil, Lisboa e França. Assim a diversidade musical foi algo muito apreciado e em qualquer ponto do espectáculo houve algum tipo de gosto a ser satisfeito por entre a audiência.
Apesar de ter um início muito suave e calmo, o ritmo das músicas foi subindo e houve até um dance off onde o prémio era um CD de Dom La Nena. Para ganhar os candidatos só teriam de dançar um pouco de samba, em pé, nos seus lugares e, aos poucos, um por um, muitos foram concorrentes. Neste momento, foram convidados alguns elementos do público a subir ao palco para poder dançar e estar um pouco com a cantora. Um momento de festa inesperado que deu o mote para o que se seguiu: ainda mais alegria e partilha.
Um dos momentos mais acarinhados da noite foi uma performance unplugged, sem amplificação vocal que foi mais do que suficiente para encher o palco, a plateia e os corações de todos. Um outro grande momento, esteve intrinsecamente ligado ao que foi o valor de produção deste espectáculo.
Som, palco, decoração, timings e iluminação: juntos todos estes elementos tornaram coeso este espectáculo e funcionaram perfeitamente num único momento onde Dom La Nena "magicamente" transferiu luz da sua mão para estrelas que davam mais iluminação ao palco e posteriormente para o público também. Muito carinhoso, muito inocente e sobretudo muito bem executado, tendo em conta o formato one woman show.
Esta foi uma noite que cedo não vai abandonar as memórias de quem teve o prazer de ver esta cantora em palco. Mas será certo que se irão sentir as saudades de ver mais uma performance de Dom La Nena. Uma artista que definitivamente não é para perder de vista!
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domingo, novembro 01, 2015
Plaza Suite @ Teatro Tivoli BBVA
Sinopse:
"Plaza Suite" é uma comédia sobre o amor e fala das desventuras de dois casais muito diferentes que enfrentam momentos cruciais nas suas vidas. Duas histórias distintas escritas por Neil Simon, um dos nomes maiores da dramaturgia norte americana. Com um humor sofisticado e deliciosamente engraçado, este texto foi um grande sucesso teatral e ainda deu origem a um filme.
Com quatro personagens interpretados por dois actores, na primeira história uma mulher tenta reconquistar o afecto do seu marido, encenando um encontro romântico na mesma suite onde passaram a lua de mel há 24 anos. Mas mais do que qualquer festejo, o fim do casamento parece estar à vista. Será que ainda vão a tempo de o salvar?
Na segunda história os pais de uma jovem noiva tentam convencê-la a sair da casa de banho, onde se trancou poucos minutos antes de começar a sua festa de casamento. De que terá ela medo? Do amor ou daquilo em que uma relação, com o passar dos anos, se pode transformar? Um hilariante ataque de nervos com um final surpreendente!
Pela primeira vez em Portugal, "Plaza Suite" marca o regresso de Alexandra Lencastre ao teatro, no ano em que celebra 50 anos de vida e 30 de carreira, ao lado de outro grande actor, com quem já contracenou, Diogo Infante.
Imperdível, portanto!
(In)confidência:
"E se estas paredes falassem?". É isto que muitas pessoas pensam quando entram num quarto de hotel, um local supostamente intimo mas nunca exclusivo. Muitos passam pelo mesmo quarto, e todos têm as suas próprias histórias, problemas, questões e vidas. E se muitas paredes pudessem falar teríamos alguns episódios como os demonstrados na peça Plaza Suite, em cena no Teatro Tivoli BBVA, com Alexandra Lencastre e Diogo Infante. No entanto, este quarto de hotel é apenas um veículo que serve apenas para nos apresentar 2 casais que em diferentes fases das suas vidas vivem casamentos vitimas da passagem do tempo e em possível destruição iminente.
Na primeira parte somos apresentados a um casal de meia-idade, casados à 23 anos (Ou será 24!? Nem eles têm certeza) e com o seu aniversário à porta decidem reviver a sua lua de mel no mesmo quarto de hotel. Porém, 23 anos depois, as coisas não estão iguais, ele trabalha muito e não consegue articular com sucesso a vida profissional com a vida familiar. Ela encontra-se carente acompanhando cegamente um marido que não a acompanha e que pensa mais no trabalho do que viver uma vida com a mulher que ama. Porém aquilo que era para ser uma noite perfeita de ligação matrimonial, rapidamente torna-se numa noite desfeita, que pode por em risco real a "felicidade" do casamento, passando pelas discussões pequenas e sem sentido que muitos casais têm, passando também pela insegurança e ciúme e culminando na pior revelação que um casal pode ter, somos apresentados ao desgaste emocional que uma vida a dois pode trazer.
Na segunda parte ainda me demorou um pouco a perceber que já não víamos do mesmo casal, estávamos na presença de um novo casal que também tem a sua história para contar no quarto 719. E é assim que somos transportados para os preparativos de um casamento, o da filha que não quer sair da casa de banho, com medo de enfrentar a sua nova vida tendo os seus próprios pais como referência, tem medo de estar a fazer as escolhas erradas. E são nas tentativas de a tentar convencer a sair do WC que passamos a conhecer os seus pais e nos apercebemos mais uma vez de um episódio de amor desgastado, que poderá ter começado com a maior das forças, mas acabou por acusar a passagem do tempo. Fugindo do cânone e eludindo as histórias de amor puro e romântico que muitos outros tendem a mostrar como mágico.
Apesar de ter havido uma súbita mudança de tom no momentos de comédia, (sendo que na primeira parte o humor era mais intelectual e na segunda era um humor mais físico) estes conseguiram captar a atenção do público e tirar alguma da tensão das situações vividas em palco. Não se pode acabar esta opinião sem falar nos cabeça de cartaz, tanto Diogo Infante como Alexandra Lencastre ainda se encontram muito sólidos tanto num registo dramático como num registo mais cómico, dando um tom muito verosímil a todas as situações e fazendo com que o público consiga criar empatia e/ou identificar-se com toda a parafernália de emoções expostas.
Uma peça muito agradável, numa sala também muito agradável, mas com uma visão muito redutora e destrutiva do desgaste emocional que a passagem do tempo trás, porém esta temática pesada está muito bem esbatida pelos momentos de comédia e pelas grandes performances dos actores.
(In)confidência:
"E se estas paredes falassem?". É isto que muitas pessoas pensam quando entram num quarto de hotel, um local supostamente intimo mas nunca exclusivo. Muitos passam pelo mesmo quarto, e todos têm as suas próprias histórias, problemas, questões e vidas. E se muitas paredes pudessem falar teríamos alguns episódios como os demonstrados na peça Plaza Suite, em cena no Teatro Tivoli BBVA, com Alexandra Lencastre e Diogo Infante. No entanto, este quarto de hotel é apenas um veículo que serve apenas para nos apresentar 2 casais que em diferentes fases das suas vidas vivem casamentos vitimas da passagem do tempo e em possível destruição iminente.
Na primeira parte somos apresentados a um casal de meia-idade, casados à 23 anos (Ou será 24!? Nem eles têm certeza) e com o seu aniversário à porta decidem reviver a sua lua de mel no mesmo quarto de hotel. Porém, 23 anos depois, as coisas não estão iguais, ele trabalha muito e não consegue articular com sucesso a vida profissional com a vida familiar. Ela encontra-se carente acompanhando cegamente um marido que não a acompanha e que pensa mais no trabalho do que viver uma vida com a mulher que ama. Porém aquilo que era para ser uma noite perfeita de ligação matrimonial, rapidamente torna-se numa noite desfeita, que pode por em risco real a "felicidade" do casamento, passando pelas discussões pequenas e sem sentido que muitos casais têm, passando também pela insegurança e ciúme e culminando na pior revelação que um casal pode ter, somos apresentados ao desgaste emocional que uma vida a dois pode trazer.
Na segunda parte ainda me demorou um pouco a perceber que já não víamos do mesmo casal, estávamos na presença de um novo casal que também tem a sua história para contar no quarto 719. E é assim que somos transportados para os preparativos de um casamento, o da filha que não quer sair da casa de banho, com medo de enfrentar a sua nova vida tendo os seus próprios pais como referência, tem medo de estar a fazer as escolhas erradas. E são nas tentativas de a tentar convencer a sair do WC que passamos a conhecer os seus pais e nos apercebemos mais uma vez de um episódio de amor desgastado, que poderá ter começado com a maior das forças, mas acabou por acusar a passagem do tempo. Fugindo do cânone e eludindo as histórias de amor puro e romântico que muitos outros tendem a mostrar como mágico.
Apesar de ter havido uma súbita mudança de tom no momentos de comédia, (sendo que na primeira parte o humor era mais intelectual e na segunda era um humor mais físico) estes conseguiram captar a atenção do público e tirar alguma da tensão das situações vividas em palco. Não se pode acabar esta opinião sem falar nos cabeça de cartaz, tanto Diogo Infante como Alexandra Lencastre ainda se encontram muito sólidos tanto num registo dramático como num registo mais cómico, dando um tom muito verosímil a todas as situações e fazendo com que o público consiga criar empatia e/ou identificar-se com toda a parafernália de emoções expostas.
Uma peça muito agradável, numa sala também muito agradável, mas com uma visão muito redutora e destrutiva do desgaste emocional que a passagem do tempo trás, porém esta temática pesada está muito bem esbatida pelos momentos de comédia e pelas grandes performances dos actores.
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sábado, outubro 31, 2015
Acabadinha de sair do espectáculo "Improfado" @ Museu do Fado
Peça de Teatro improvisada de 1h15 (sem interrupções para pedir novas intervenções à plateia) que nasce de uma sugestão inicial do público. É uma viagem pluridisciplinar, que mistura Teatro, Música e Pintura num ambiente improvisado mas com conteúdos mais poéticos, sensoriais e emocionais. Ao longo da peça vai sendo criado um fado, único em cada espectáculo. Composto por 3 actores, 1 pianista, 1 guitarrista e/ou 1 cantora, 1 pintor.
Sinopse:
Peça de teatro 100% improvisada, nasce a partir da inspiração de um fado escolhido aleatoriamente pelo público, no início de cada espectáculo. Sem estrutura, cenas, personagens ou textos pré-definidos, cada espectáculo IMPROFADO é criado em conjunto com o público e em tempo real, combinando, de forma poética e emocional, artes tão diferentes, e ao mesmo tempo tão complementares, como a música, a pintura e o teatro.
Pouco a pouco, a narrativa ganha forma através das relações humanas que se geram e das ligações entre as diversas cenas. Se a princípio tudo parece desconexo, aos poucos a lógica instala-se assente na improvisação dos actores que se desdobram em múltiplas personagens e aproveitam positivamente todos os contributos dos presentes. Também em palco, músicos e cantor/a criam em tempo real temas e melodias de suporte às diversas histórias, enquanto um pintor as vai ilustrando.
Cada espectáculo é único, irrepetível e tem um fado próprio. Cada espectáculo é possível pela extraordinária dinâmica de grupo existente que, apesar de assente num profundo conhecimento mútuo e na utilização de técnicas comuns, consegue em palco e em tempo real que o improvável se torne real.
(In)confidência:
Como definir e opiniar sobre um espetáculo que não tem guião, um fio condutor óbvio, algo que ninguém tem certeza do que esperar? Um espetáculo de improviso é exactamente isto, embarcar rumo ao desconhecido, escolher uma direção e a partir daí seguir sempre em frente, sem certezas mas com muita ginástica intelectual, e por vezes também fisica.
Com o nome de Improfado e com local o próprio Museu do Fado, cedo algo dizia que esta não era uma noite "tradicional" de improviso. Assim, o trio Os Improváveis, foi acompanhado de live painting, onde um artista ilustrou as personagens, cenários e histórias inventadas na hora, com a ajuda do público captando os momentos mais marcantes de cada intervenção. Houve também algo que eu pessoalmente nunca tinha presenciado, um compositor ao piano, um tocador de viola e uma cantora, que também eles, elaboraram pequenos trechos musicais improvisados, sem qualquer combinação sobre o ritmo, letra e tom da música. Algo tão inesperado e cheio de talento que deixou muitos de boca aberta em espanto.
Tinha sido de esperar que os momentos de improviso, despoletassem maioritariamente momentos de comédia, mas como foi explicado por Marta Borges (um terço do trio de actores, composto também por Telmo Ramalho e Pedro Borges) esse não era exactamente o objectivo, pois esse seria o de criar personagens e situações credíveis que poderiam ou não conter momentos de comédia. Tendo em conta que este tipo de performance não tem nada definido, a comédia surge por si só. Por entre os diálogos inventados, por entre as situações e pelo facto de múltiplos personagens terem sido feito pela mesma pessoa e na mesma cena, a comédia está sempre implicita, sendo por vezes uma reação de incredulidade sobre a fala que foi dita por qualquer um dos artistas. Muito "improvável" e também muito bom!!
Muito podia ser dito sobre as personagens interpretadas nesta noite, mas essa é a essência da comédia de improviso. O acto único e irrepetível, o happening, o facto de cada espetáculo ser diferente e nunca, mas nunca poder ou conseguir ser igual ao ser antecessor. Noites únicas que devem ser vistas e experienciadas por todos os que tiverem dentro de si aquela pequena semente do caos, da procura da ordem através de actos ao calhas, partir para o desconhecido e perceber que por vezes nem os próprios artistas têm controle sobre as suas próprias criações. Imperdível!!!
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sexta-feira, outubro 30, 2015
David Fonseca @ CCB
Sinopse:
Futuro eu
Lê esta carta que eu escrevi
Sei que é só tinta em papel
Mas quero só o melhor pra ti
“Futuro Eu” é o novo espectáculo que David Fonseca criou e que apresentará em Lisboa e Porto, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém e na Casa da Música nos dias 30 e 31 de Outubro, respectivamente. Com o título retirado da canção revelada recentemente através das redes sociais, “Futuro Eu” expõe um conceito inédito na sua já vasta obra em que o inesperado é princípio basilar.
Um dos mais carismáticos criadores nacionais, David Fonseca é indissociável da banda a que deu voz, o grupo Silence 4. Com um primeiro disco em 1998 “Silence Becomes It”, o grupo rapidamente atingiu um nível de sucesso invulgar. Em 2001, efectuaram a sua última digressão, tendo suspendido a sua actividade até 2014, ano em que se reuniram para a realização de quatro espectáculos especiais.
Em 2003, David Fonseca iniciou a sua carreira a solo com “Sing Me Something New” que rapidamente o confirmou como uma figura ímpar da criação musical. Até à data publicou mais quatro álbuns a solo, sendo “Seasons – Rising : Falling”, o mais recente, um diário musical em que David Fonseca relatou um ano da sua vida através de canções, a sua última edição. Fez ainda parte do colectivo “Humanos”.
A sua actividade musical tem-se desenvolvido ainda com uma forte componente performativa nos palcos nacionais e internacionais. As suas prestações ao vivo são memoráveis para todos quantos a elas assistem e as suas canções são desde há muito representativas do que de mais importante tem sido produzido a nível musical – “Someone That Cannot Love”, “Who are U?”, “Superstars”, “A Cry 4 Love”, “U Know Who I Am” ou “What Life Is For” são apenas alguns dos temas compostos por David Fonseca que lideraram as tabelas de airplay nacionais.
Criador multi-facetado, David Fonseca tem desenvolvido ainda a sua personalidade artística também na área da imagem, realizando os seus próprios videoclips, exposições fotográficas ou, mais recentemente, com a publicação do livro "Right Here, Right Now" (Tinta da China), uma recolha de 132 fotografias Polaroid entre as inúmeras imagens produzidas por David Fonseca neste formato entre 1998 e 2008.
Com uma dinâmica invulgar com o público, David Fonseca desde há muito que dedica especial atenção à relação com os seus fãs, tendo criado a comunidade baseada no seu site, o “Amazing Cats Club”, ou destacando-se nas plataformas sociais, com uma forte e criativa implantação no Instagram, Twitter e Facebook, esta última com mais de 350.000 seguidores.
(In)confidência:
Um dos melhores artistas portugueses e claramente um dos melhores compositores e escritores no activo. Se forem como eu, puderam acompanhar de perto a evolução e crescimento de David Fonseca, mas longe vão os tempos dos Silence 4 e cada vez mais essa memória desvanece de todas as nossas mentes. A verdade é que a qualidade e engenho musical de David Fonseca fazem com que seja cada vez mais um artista de nome próprio. Mas nem por um segundo parece que todos estes factores influenciam o a pessoa e o estado de espírito deste artista, e é por todas estas razões que cada novo álbum seu é visto com muita admiração e carinho pelos fãs.
É assim que chegamos a dia 30 de Outubro de 2015, com o concerto de apresentação do seu novo álbum: Futuro Eu. Dando o mote logo desde o inicio com o single do mesmo nome, a música Futuro Eu foi apresentada como uma bandeira da ginástica musical de David Fonseca. Mas nem só de músicas novas viveu este concerto e como nem todos podemos ser fãs acérrimos do artista, mas todos temos pelo menos uma música sua que nos marca, este não foi apenas um concerto de apresentação.
Por entre muitas músicas do novo álbum e a convidada surpresa, Márcia, e interpretação em dueto da música É-me igual, houve muitos momentos de pura exaltação. Um desses momentos foi o início da música Superstars que colocou todo o público a dançar e bater palmas de forma espontânea. Esta celebração estendeu-se para a música Stop 4 a Minute. E nesta não foram só palmas que soaram em toda a sala, mas também toda a letra e os seus gemidos característicos. E foi no meio de tudo isto que David Fonseca saiu do palco e aventurou-se por entre o público com a sua guitarra e ali ficou até ao final. Loucura geral!! Absolutamente incrível!! Mas não foi esta a única vez que o cantor partiu numa aventura dessas! Pois, a seu pedido, ele fez circular um pára-quedas aberto por todos os elementos do público e posteriormente abrigou-se por debaixo dele com alguma parte do público, partilhando assim com eles uma das partes mais intimistas do espetáculo.
Uma das maiores qualidades de David Fonseca, fora da música, é a sua persona em palco, o que torna todos os seus espetáculos em experiências intimistas e de extrema cumplicidade. E esta é uma vertente que David exibe como ninguém. Desta forma, frases e até mesmo conversas inteiras como o público foram recorrentes e esperadas com grande antecipação por todos nós. E só assim poderíamos ter conhecimento de um elemento do público que poderá ou não ter conseguido um "blind-date" tentando vender um bilhete para o espetáculo no OLX, ou até mesmo da confissão do próprio David sobre pequenos "furtos" inocentes de chocolates... pequenas preciosidades que só poderiam acontecer num concerto deste calibre.
E eis que após 2 encores e uma pequena inconfidência de David sobre o significado destes momentos nos espetáculos de hoje em dia, chegámos ao verdadeiro fim do concerto e à musica The 80's, que deixou o público com muita vontade de um verdadeiro encore, acabando o espetáculo em alta e deixando o público já a pensar em qual seria a próxima vez que podería ver David Fonseca de novo em palco.
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sábado, outubro 17, 2015
E hoje foi dia de "Don Giovanni ou O Imorigerado Imortal" :)
Don Giovanni tem a vida que sempre sonhou. Sedutor irresistível, ateu convicto, semeia sem dó um amor infértil, deixando milhares de mulheres (só em Espanha foram 1003) a suspirar por uma paixão que nunca será correspondida. Leporelo, o seu, cada vez menos, fiel aio tem reprovado insistentemente a vida de Don Giovanni, criticando os seus costumes, prevendo-lhe um final infeliz, caso não mude de atitude perante as mulheres, perante a vida, perante Deus.
A ação começa com a notícia do assassinato do Comendador, a sua filha, D. Ana, jura vingança e pede a D. Otávio, seu fiel noivo, que a ajude a encontrar o criminoso que ceifou a vida do seu pai. Há rumores que o autor do assassinato poderá ter sido Don Giovanni, surpreendido numa das suas investidas noturnas pelos quartos das doces donzelas. Leporelo tem quase a certeza de que não será apenas um rumor, mas tudo faz para encobrir a alegada culpa do seu amo, apesar de o ter confrontado várias vezes com o assassinato. Sem nunca assumir o crime, Don Giovanni diverte-se na vida libertina, soma e segue conquistas, levando D. Elvira à loucura, que nunca superou a traição do seu amado. Desde que o ímpio a abandonou, D. Elvira nunca mais falou, passando apenas a cantar a sua desgraça e jurou um dia vingar-se do homem que “matou” o seu coração.
O cerco vai-se apertando a Don Giovanni até ao dia em que será confrontado com os seus crimes… de amor. Mas uma revelação inesperada irá mudar o rumo dos acontecimentos, mostrando um sedutor que poucos imaginavam…!
Opinião:
Nada melhor que passar uma bela noite no fantástico Teatro da Trindade e assistir à peça musical Don Giovanni. Inspirada na ópera de Mozart e no libretto de Lorenzo Da Ponte, Don Giovanni conta com a encenação de Paula Sousa Costa e as interpretações de Ângelo Rodrigues, Liliana Santos, António Machado, Júlia Belard, Tiago Costa, Sérgio Moura Afonso e Carol Puntel, interpretação.
Ao entrarmos na sala de espectáculos do Teatro da Trindade deparamo-nos com Dona Elvira, impávida e triste, no seu traje de casamento... E assim iniciam as peripécias de Don Giovani, um assassinato, uma noiva abandonada, um mulher em busca de vingança pelo assassinato do seu pai e o seu fiel noivo, que anseia em busca do assassino do seu futuro sogro, um noivo traído e as investidas incansáveis de Don Giovanni à bela Zerlina... No meio desta acção encontra-se Leporelo, o fiel criado de Don Giovani que tudo faz para encobrir a a alegada culpa de assassinato do seu amo e investidas aos quartos das doces donzelas por Don Giovani.
De realçar a interpretação da fantástica Carolina Puntel e o Alis Ubbo Ensemble, que brilham e dinamizam a acção libertina de Don Giovani.
António Machado interpreta de forma brilhante e cómica o incansável Leporelo.
A peça está bem conduzida e faz com que entremos nas aventuras e desventuras do protagonista, deixando-nos a apetecer mais além do final, pois queremos mais história, mais aventuras de Don Giovani e levando-nos à breve conclusão de que nem tudo o que parece é aquilo que aparenta, supreendendo-nos... E mais não digo... O melhor é dar um pulinho ao Teatro da Trindade e ver esta fantástica peça musical!
Opinião:
Nada melhor que passar uma bela noite no fantástico Teatro da Trindade e assistir à peça musical Don Giovanni. Inspirada na ópera de Mozart e no libretto de Lorenzo Da Ponte, Don Giovanni conta com a encenação de Paula Sousa Costa e as interpretações de Ângelo Rodrigues, Liliana Santos, António Machado, Júlia Belard, Tiago Costa, Sérgio Moura Afonso e Carol Puntel, interpretação.
Ao entrarmos na sala de espectáculos do Teatro da Trindade deparamo-nos com Dona Elvira, impávida e triste, no seu traje de casamento... E assim iniciam as peripécias de Don Giovani, um assassinato, uma noiva abandonada, um mulher em busca de vingança pelo assassinato do seu pai e o seu fiel noivo, que anseia em busca do assassino do seu futuro sogro, um noivo traído e as investidas incansáveis de Don Giovanni à bela Zerlina... No meio desta acção encontra-se Leporelo, o fiel criado de Don Giovani que tudo faz para encobrir a a alegada culpa de assassinato do seu amo e investidas aos quartos das doces donzelas por Don Giovani.
De realçar a interpretação da fantástica Carolina Puntel e o Alis Ubbo Ensemble, que brilham e dinamizam a acção libertina de Don Giovani.
António Machado interpreta de forma brilhante e cómica o incansável Leporelo.
A peça está bem conduzida e faz com que entremos nas aventuras e desventuras do protagonista, deixando-nos a apetecer mais além do final, pois queremos mais história, mais aventuras de Don Giovani e levando-nos à breve conclusão de que nem tudo o que parece é aquilo que aparenta, supreendendo-nos... E mais não digo... O melhor é dar um pulinho ao Teatro da Trindade e ver esta fantástica peça musical!
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sexta-feira, outubro 16, 2015
Acabadinha de sair de "Je Suis Cordes" de Rui Sinel de Cordes @ Coliseu dos Recreios
Depois de esgotar todas as sessões de “Isto Era Para Ser Com o Sassetti” em Lisboa e Porto, Rui Sinel de Cordes dá mais um passo em frente.
Je Suis Cordes é mais um espectáculo de stand-up comedy - o quarto solo do humorista desde 2012, que irá ser apresentado numa data única em Lisboa, na sala principal do Coliseu dos Recreios.
Este espectáculo marca o regresso ao estilo de stand-up comedy puro a que Rui Sinel de Cordes nos habituou em “Black Label” e “Punchliner”, pelo que o público pode contar com estórias engraçadas, one-liners, pensament... oh, quem é que estamos a tentar enganar? Será mais uma noite épica de rock 'n' roll em forma de comédia, sem regras nem pedidos de desculpas e carregado de Gin tónico e verdades incómodas.
Mas acima de tudo, Gin tónico.
(In)confidência:
Em noite memorável, o Coliseu de Lisboa encheu para receber de volta o comediante mais controverso de Portugal. Não desiludiu. Atenção quem se possa ofender facilmente ou seja suscetível a alguns assuntos, Rui Sinel de Cordes fala de tudo um pouco: relações humanas, actualidade, social e até de si próprio. Muito de si próprio. O Cavaleiro Negro do humor joga com o tamanho da audiência que conquistou (cerca de 2000 pessoas) adoptando muitas vezes um registo mais pessoal quase de contador de histórias, daquelas que fariam corar muita gente. Como se não bastasse, ilustrando com slides caricaturais das suas experiências de vida, incidindo fortemente nas suas relações pessoais e íntimas. Atenção, são imagens por vezes extraordinariamente gráficas. Com o à vontade de quem está a falar de uma ida ao café ou de um jantar de amigos, o seu humor social e observacional com um twist ácido, levou os dois milhares de pessoas a momentos de conexão total, mesmo e principalmente em assuntos polémicos. É, sem dúvida, o melhor solo de stand-up nacional. Recomendado.
(In)confidência:
Em noite memorável, o Coliseu de Lisboa encheu para receber de volta o comediante mais controverso de Portugal. Não desiludiu. Atenção quem se possa ofender facilmente ou seja suscetível a alguns assuntos, Rui Sinel de Cordes fala de tudo um pouco: relações humanas, actualidade, social e até de si próprio. Muito de si próprio. O Cavaleiro Negro do humor joga com o tamanho da audiência que conquistou (cerca de 2000 pessoas) adoptando muitas vezes um registo mais pessoal quase de contador de histórias, daquelas que fariam corar muita gente. Como se não bastasse, ilustrando com slides caricaturais das suas experiências de vida, incidindo fortemente nas suas relações pessoais e íntimas. Atenção, são imagens por vezes extraordinariamente gráficas. Com o à vontade de quem está a falar de uma ida ao café ou de um jantar de amigos, o seu humor social e observacional com um twist ácido, levou os dois milhares de pessoas a momentos de conexão total, mesmo e principalmente em assuntos polémicos. É, sem dúvida, o melhor solo de stand-up nacional. Recomendado.
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quarta-feira, outubro 07, 2015
Acabadinha de sair do "Slava´s Snow Show"
Sinopse:
Épico e poético, meigo e apaixonado, sábio e ingénuo: "Slava's Snowshow".
Criado
em 1993, está em digressão desde então, regressando ciclicamente a cada
país, sempre com salas esgotadas por todos os que querem ser
surpreendidos pelo espectáculo que à entrada tem o aviso: “Cuidado que
os sonhos podem tornar-se realidade!”.
Em Outubro, o universo
fantástico e multi-premiado de "Slava’s Snowshow" volta ao Coliseu do
Porto e ao CCB trazendo-nos a oportunidade de entrar num mundo habitado
por palhaços muito especiais, capazes de desencadear tempestades de neve
a partir de um simples pedaço de papel.
Criado por Slava
Polunin, referência maior do teatro cómico do século XXI e actual,
"Slava’s Snowshow" é um espectáculo que não termina com os aplausos
finais, continuando na plateia onde a noção do tempo é perdida por todos
aqueles que permanecem a brincar com as irresistíveis bolas coloridas.
Opinião:
11
De Outubro de 2015! Esta é a data limite para ver um dos mais bonitos
espetáculos do ano. São no total cinco, as sessões para as quais ainda
podes comprar bilhete de forma a ver o Slava SnowShow no Centro Cultural
de Belém. E acredita quando te digo: COMPRA JÁ!
Compra mesmo, está aqui o link. Nem hesites.
Não
se trata apenas de uma peça de teatro com palhaços. O Slava SnowShow é
uma experiência imersiva que começa logo com a iluminação e som ambiente
pré-espetáculo. Ainda nem te sentaste e já percebes que vais ver algo
especial. Olhas para o chão e vês pequenos papéis rasgados e ficas logo
com a sensação que vai valer a pena.
O
espetáculo tem coração, comédia, mistério e um dos finais mais épicos
que alguma vez vi em palco. Em cena, a linguagem corporal dos palhaços
transmite tudo o que precisas de “ouvir”, sem que seja proferida uma
única palavra. A fisicalidade dos atores é impressionante, desde
pequenos e contidos passos de “dança”, a transformações físicas
aparentemente impossíveis que te fazem perguntar como é que os joelhos
deles aguentam.
E
não seria um espetáculo de palhaços sem algum deambular pelo público. O
fim do intervalo é ditado pela entrada do elenco, na plateia, momento
em que podes acabar molhado, coberto de papéis ou até com um deles às
cavalitas. Se tiveres azar (ou sorte, dependendo do ponto de vista), até
te pode calhar a ti tudo o que escrevi acima.
Como
não quero estragar a surpresa final, concluo apenas dizendo que é um
espetáculo que vale muito a pena. Entrou diretamente para o meu top 3 de
espetáculos favoritos e, ainda por cima, tem a vantagem de ser para
toda a família. Quando saí do CCB trazia comigo uma sensação de alegria
perpétua.
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terça-feira, setembro 29, 2015
Um dia na Quinta da Aveleda :)
Uma viagem por vezes pode tudo. Silencia ruídos, cura dores, anima amores.
Uma viagem pode trazer novas cores a almas cinzentas, aromas a espíritos esquecidos e originais sabores a paladares incautos. A boa companhia catalisa o que está potencialmente lá e a Quinta da Aveleda é, nesse aspecto, arauto de novos amores. Para nos situarmos: de localização privilegiada, com os seus vastos terrenos de vinha na zona de Penafiel, a herdade corre o risco de ser a mais multifacetada de todas as criadoras de vinho premiado nacional. A Quinta da Aveleda foi distinguida este ano com o Certificado de Excelência do Tripadvisor e foi galardoada em 2011 com o prémio internacional Best of Wine Tourism. Um copo de Alvarinho, uma das cerca de 6 castas diferentes que crescem na zona, acompanhado de uma fatia de Pena Fidelis, queijo igualmente de fabrico local, promete que quem gosta pode sempre passar a amar.
Tudo é de excelência: desde o passeio sereno pelos infinitos jardins da herdade, até uma visita à ancestral adega riquíssima em contextos históricos, passando pelo almoço irrepreensível feito na sua quase exclusividade com o recurso a produtos da própria quinta, seguido de passeio de tractor sentados em fardos de palha trazendo uma salutar aproximação ao terreno e complementado por um copo fresco de uma conjunção de castas Loureiro-Alvarinho pré-preparado no local, traz um resultado extremamente feliz. Beber um dos melhores produtos nacionais enquanto recebemos uma massagem ao ar livre entre vinhas é apenas excelente. Palmas para a parceria Quinta da Aveleda/Clínica Nuno Mendes.
A grande variedade de soluções de entretenimento e experiências que nos propõem convida a planear cuidadosamente o dia na quinta, já que a adaptabilidade às necessidades específicas de cada cliente é total. Não haverá um evento igual a outro.
Há dias de que pura e simplesmente não nos esquecemos: o 1º dia de uma viagem exótica, ou o dia do nosso casamento. Uma visita à Quinta da Aveleda claramente não fica atrás. A recepção a convidados feita pela Quinta da Aveleda é de excelência, história em conjunto com sabores para aguçar os sentidos ao ponto de realmente nos apaixonarmos. Basta apenas termos a companhia certa.
As fotos:
Tão catita :)
Siga para o brunch xD
Já tudo pronto para nos receber :)
Quem diria que se podia encontrar este pedacinho de paraíso em Penafiel?!
Perdia-me aqui...
"Uma busca é sempre uma espera do principio ao fim."
O nosso grupo catita.
A adega.
A fonte das 4 irmãs.
Um pedacinho de paraíso.
Um passeio diferente :)
Parece que vou de tractor =P
Será que vamos vindimar?
Vá, podem me chamar nomes que eu deixo =P
Que vida tão dificil a minha...
Faz-me lembrar a Aldeia da Roupa Branca :)
Muito mais relaxada agora! Ehehe!
Gosto tanto!!
"You don't always need a plan. Sometimes you just need to breathe, trust, let go and see what happens." - Mandy Hale
"Storms make trees take deeper roots" - Dolly Parton
Pelo caminho.
A casa no meio do lago.
A janela Manuelina.
Parece que alguém me anda a seguir...
Marta sempre a fazer amigos onde quer que vá =P
Alguém quer levar um miminho para casa?
Bem-vindos à casa do Hobbit =P
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