Todos nós só apanhados pelas lembranças por mais que ergamos muros e muralhas. Aquilo que tentamos tanto esquecer acaba sempre por vencer e nos dominar, voltando-nos. E derruba-nos. E, de todas as vezes, é um pouco mais difícil de nos levantarmos. Por isso, corremos e corremos, e corremos e fugimos. Escondemo-nos de nós próprios, como se tal fosse possível. E bebemos, fumamos, fazemos o que for necessário para adormecer a dor... até que ela se silencie em nós. Mas não dura. Nunca dura. Porque ela não vai. Ela não foge. Ela não desaparece. E lá somos nós apanhados por ela enquanto corremos e corremos, e corremos e fugimos.
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segunda-feira, junho 18, 2018
quarta-feira, junho 13, 2018
Medos.
Tenho medo de ser uma daquelas mulheres que ama até à exaustão, até nada dela restar. Daquelas que da tudo sem receber quase nada de volta, alimentando-se dos sonhos e esperanças que nunca se concretizam. Tenho medo de desaparecer em mim própria por minha mera culpa. Porque não fui capaz de ver a tempo que não chegava, que não era suficiente, que não era feliz. Tenho medo de nunca concretizar o potencial que sempre tive, o destino que achei ser sempre o meu. De perder-me algures pelo caminho, sem conseguir voltar a mim.
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terça-feira, junho 05, 2018
Não és meu.
Hoje és de outra. Não meu. Na tua mão não é a minha que pousa. No teu coração não sou eu que pertenço. Sei que não voltarás a ser meu e sinto-te a saudade a cada dia que não estás. Sei que é loucura, insanidade até. Já te deveria ter esquecido. Já não deverias fazer parte de mim. Mas, se calhar, é isto que é amor. Se calhar, é isto que significa verdadeiramente amar alguém. Se calhar, é isto que os poetas e escritores e leigos querem dizer quando afirmam que o amor nunca morre. Porque mesmo longe, depois de tanto tempo, continuas em mim. Apesar de já não seres meu. Apesar de não querer. De não te querer. Mas estás lá. Como se fosses parte intrinseca de mim. Mas, depois, não és meu. Não me pertences, ainda que repouses em mim. E esta falsa ilusão, ainda que não se confunda com realidade, vai existindo assim, em mim, incomodando-me os sentidos. Fazendo-me sentir-te a falta.
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segunda-feira, maio 28, 2018
Chegadas e Partidas.
E quando são os ossos que dobram na saudade de te voltar a ver, acumulando cicatrizes de um coração impaciente que ama o inatingível? E quando é a dor invisível, a que sentimos, ao desejarmos aquilo que sabemos que nunca teremos? Aí sabemos. Aí viemos. Chegámos até aqui. Até ao fim de nós.
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quinta-feira, maio 24, 2018
Portas que se fecham.
Hoje fecho-te a porta. E não a fecho só por agora, nem tão pouco a fecho para te abrir uma janela. Fecho-te a porta consciente e definitivamente, com a certeza de que nunca a devia ter aberto sequer. Porque aprendi que há pessoas que não merecem entrar, que não basta chegar falar e parecer, há que permanecer, ser e merecer. Por isso, fecho-te a porta. Cimento-te a passagem. Destruo-te o caminho até mim, embora saiba que a hipótese de aqui chegares nunca foi uma promessa mas apenas um plano B. E eu, recuso-me a ser uma segunda escolha, um talvez, um agora não mas depois logo se vê. Eu sou tão mais do que isso… E se não o vês, és tu quem perde. Portanto diverte-te. Vemo-nos por aí, ou não. Não me interessa realmente. Não estarei a olhar, não tenho por hábito voltar atrás nas minhas decisões ou dizer coisas que não as sinta realmente. Posso não ser feita de certezas absolutas mas não sou feita de incoerências. E quando é, é decisivo e definitivo. E agora é um é. Portanto é bem provável que passes por mim e nem me dê conta. E nem vai ser por mal, será apenas porque deixaste de significar. Porque de ti nada restou. É que nem tudo o que chega fica, nem tudo o que aparece permanece, e nem tudo o que foi é. Nem tem de o ser. Já não padeço desse mal do coração de pateticamente desejar o quimérico e ilusório, de idealizar a utopia dos sentimentos como se fosse dona do mundo. Amadureci. Finalmente. Por isso sei que não te vou estranhar a tua ausência, quando nunca chegaste sequer a estar presente... É apenas uma consequência inequívoca do teu comportamento.
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sexta-feira, maio 18, 2018
Percepção é realidade.
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