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terça-feira, fevereiro 04, 2020

Certezas

Não quero ser uma conveniência, quero ser uma escolha

domingo, dezembro 01, 2019

Tua

hoje sou tua
durante esta noite
sem tempo contado
sem amarras
sem filtros
mas sem amanha.

quinta-feira, novembro 28, 2019

sexta-feira, novembro 22, 2019

Desistências.


Tenho muita dificuldade em desistir. Por isso é que a maior parte dos meus relacionamentos duraram mais do que deviam. Porque simplesmente não o sei fazer. Encaro o desistir como um falhar. Uma derrota pessoal. Luto até ao fim normalmente por um ideal que há muito que já acabou mas que me recuso a ver e a aceitar. É a verdade é que neste processo eu sou a única prejudicada. E apesar da vida ser uma constante aprendizagem esta parece ser a única coisa que não consigo aprender. Talvez porque odeio falhar e não consiga dissociar uma ideia da outra. Ou talvez seja apenas uma questão de teimosia, de querer ganhar quando estou claramente destinada a perder. Seja qual for a razão, sei que preciso de aprender a parar, a largar, a ceder.

segunda-feira, novembro 18, 2019

Quem eu sou


Poucas pessoas me conhecem realmente. Sou tantas pessoas e nenhuma delas... Porque cada um me projecta a luz daquilo que quer ver. E assim acabo por ser versões de mim própria, umas melhores, outras piores, mas nenhuma delas eu. E consigo ser nada quando tudo sou. E é estranho. Estranho ser aquilo que fazem de nós, sem nada poder fazer para o mudar.

quinta-feira, outubro 31, 2019

Bipolaridades

Tenho uma bipolaridade em mim que nem eu própria compreendo. O que eu quero e o que eu sinto raramente se encontram para conversar.

sexta-feira, outubro 25, 2019

Precipicios.

Tu és um precipício em mim. E cada vez que vens eu dou um passo em frente e caio em ti. Caio de mim, profundamente, como se não conhecesse a nossa impraticalidade. E tu vens e eu vou também, em vez de me afastar, de me esconder. Digo a mim própria que posso ir, que sei o caminho, que consigo voltar. Mas sei que me vou perder mais a cada passo que der. E sou louca. Porque vou. Porque dou mais um passo. Porque escolho cair.

quinta-feira, outubro 17, 2019

sexta-feira, junho 07, 2019

Apostas.

Quando apostamos no amor, estamos a investir-nos noutra pessoa. E quando dá errado é normal que nos fechemos ao próximo. Precisamos de tempo e espaço para voltar a nós próprios. Precisamos de fazer o luto da relação. E, é aqui que, normalmente, dizemos que não queremos mais, que já não acreditamos, que simplesmente já não vai acontecer… porque sentir dói. E dói demasiado. Mais do que queríamos. Mais do que imaginámos. Mais que alguma vez esperámos… E como é óbvio o nosso reflexo é fecharmo-nos porque não nos queremos voltar a magoar. Mas o preço de não amar, de não sentir, de não arriscar novamente, é também o preço de não nos apaixonarmos, de não vivermos, de definharmos dentro de nós mesmos. Mas é humano dizermos que já não queremos mais. É o nosso instinto de sobrevivência a falar. Ainda está em nós muito presente a marca do que aconteceu, do que correu mal, e há toda uma frustração de expectativas e sonhos que precisamos de aprender a aceitar e a lidar. E isso só com o cliché do tempo. Não que o tempo vá apagar seja o que for, porque não vai. Mas vai ajudar-nos a sentir menos, a espaçar a dor, a transformá-la noutra coisa qualquer. E, no entretanto, construímo-nos novamente para que haja lugar para algo novo. E, quando menos esperarmos, já somos nós novamente. Aquilo que tanta mossa nos fez já é apenas uma memória distante e uma lembrança do que não queremos para nós. E estamos prontos, prontos para arriscar novamente.

terça-feira, fevereiro 26, 2019

Gostos

Gosto de viajar. Gosto de voar. Gosto de aeroportos. Gosto de observar as pessoas que chegam e as pessoas que as recebem nas chegadas dos aeroportos. Gosto de ir. Gosto de voltar. Não gosto de partir. Gosto de conhecer novas culturas. Gosto de conhecer novas pessoas. Gosto de pessoas que sabem mais do que eu. Não gosto de conversas de chacha. Gosto de conversas profundas. Gosto de conversas sobre tudo e o nada. Gosto de saber como era a vida antigamente. Gosto de aprender. Não gosto de me sentir burra. Gosto de animais. Gosto de pessoas. Sinto que gosto cada vez mais de animais do que pessoas. Gosto de gostar. Gosto de amar. Gosto de estar apaixonada. Não gosto de sofrer de amor. Não gosto de chorar. E tão pouco gosto que me vejam a chorar. Gosto de estar lá para os outros. Gosto que estejam lá para mim. Gosto de ser o ombro amigo. Quando gosto gosto sempre muito, não sei gostar pela metade. Gosto de ser impulsiva. Gosto de tentar. Gosto de arriscar. Não gosto de falhar. Não gosto de desistir. Gosto de refilar. Gosto de ser curiosa. Gosto de uma boa cusquisse. Gosto de ouvir as conversas dos outros. Gosto de imaginar histórias para as pessoas que não conheço. Gosto de fazer perguntas. Não gosto de não obter respostas. Gosto de entrevistas. Não gosto de ser entrevistada. Não gosto de não me saber vender. Gosto de desafios. Gosto de lutar. Não gosto de coisas demasiado difíceis. Não gosto de coisas demasiado fáceis. Gosto de dizer que não. Não gosto de ouvir nãos. Gosto de rir. Gosto de sorrir. Gosto de sorrisos. Gosto de fazer rir. Gosto do meu sentido de humor. Gosto de ser torta. Gosto de não ser igual. Gosto do que é diferente. Gosto do peculiar. Gosto de beijos. Gosto de abraços. Não gosto que me toquem desnecessariamente. Não gosto de pessoas demasiado perto de mim em filas. Não gosto de filas. Não gosto de trânsito. Não gosto de atrasos. Não gosto de me sentir presa pelo tempo. Gosto de relógios. Não gosto de quando é tarde. Gosto da noite. Gosto de céus estrelados. Gosto de pôr-de-sóis. Gosto de romantismos. Não gosto de ser uma romântica. Gosto de surpresas. Gosto de jantares à luz da vela. Gosto de bilhetinhos de amor e clichés. Gosto de passeios na praia. Gosto da praia. Gosto do barulho das ondas. Gosto de ir à água. Não gosto de entrar na água. Gosto de nadar. Não gosto de nadar com ondas. Não gosto de ter medo. Gosto de tomar banho. Gosto de ficar debaixo da água no chuveiro. Gosto de ficar com rugas nos dedos do tempo que me demoro no banho. Não gosto de sair da banheira. Gosto de me deitar despida dentro da cama. Gosto de sentir os lençóis na pele. Não gosto quando a cama está fria. Gosto de dormir acompanhada. Gosto de fazer ronha na cama. Não gosto de ficar doente. Mas gosto de comer canja de galinha quando estou. Não gosto da chuva. Gosto de ver chover lá fora. Gosto de saltar nas poças da chuva. Não gosto de ficar molhada. Gosto do Inverno. Gosto da neve. Não gosto do frio. Gosto do verão. Gosto do calor. Não gosto de demasiado calor. Gosto de andar de vestido. Gosto de me sentir bonita. Não gosto do tempo que perco a arranjar-me. Gosto que me digam que estou bonita. Gosto que olhem para mim. Gosto que me olhem nos olhos. Gosto de olhar nos olhos. Gosto de provocar. Gosto de causar reacção. Gosto de roupa nova. Gosto de ir às compras. Gosto de experimentar roupa. Não gosto de deixar a roupar a arranjar e voltar de mãos vazias para casa. Não gosto de levar os sacos das compras. Gosto de ter as mãos livres. Gosto de tocar. Não gosto de não saber tocar nenhum instrumento. Gosto de música. Gosto de ir a concertos. Não gosto do preço dos bilhetes. Gosto de cantar. Gosto de dançar. Gosto de sair à noite. Gosto de estar em casa. Gosto de preguiçar no sofá. Gosto de preguiçar no sofá. Gosto de ter tempo. Não gosto de não ter nada para fazer. Gosto de estar ocupada. Gosto de ler. Gosto de ter livros. Gosto do cheiro dos livros. Não gosto de ler em meios digitais. Gosto de escrever. Gosto de pensar que há mundos alternativos e que sou mais feliz neles. Gosto de ir ao cinema. Gosto de romances. E de filmes de animação. E de filmes de terror. Gosto de séries. Não gosto de não encontrar os episódios que quero. Gosto de moda. Gosto de tatuagens. Gosto de piercings. Gosto de fotografias. Gosto de arte. Gosto de ir a museus. Gosto de fotografar. Gosto de aparecer em fotografias. Gosto de fotografias antigas. Gosto do antigo. Gosto de história. Não gosto de saber tão pouco de história. Gosto de palavras que não conheço. Gosto de palavras que não tem tradução noutras línguas, como a palavra saudade. Não gosto de despedidas. Não gosto de correr. Não gosto de ginásios. Não gosto de pessoas que são bonitas a fazer exercício físico. Gosto de desporto. Gosto de actividades radicais. Gosto de fazer coisas novas. Gosto de me aventurar. Não gosto de dias iguais. Não gosto de rotina. Gosto de hábitos. Gosto de saber o nome das pessoas. Gosto que saibam quem sou. Gosto que o homem do café saiba o meu nome e o que vou pedir antes de o fazer. Não gosto de cozinhar. Gosto de jantar fora. Não gosto de restaurantes barulhentos. Gosto de me sentar a ter uma boa conversa. Gosto de falar. Gosto de ouvir. Gosto de vozes. Não gosto de gritos. Não gosto de quando grito. Não gosto de quando me chateio. Não gosto de discutir. Gosto de fazer as pazes. Gosto de ter razão. Gosto de coerência. Gosto de ser incoerente. Gosto da pessoa que sou. É bastante simples, na verdade.

quinta-feira, fevereiro 21, 2019

Matemáticas do Coração


Ele era um matemático da vida. Para si todas as variantes e variáveis tinham de estar equacionadas. Por isso não fazia sentimentos. Dizia não acreditar no amor. Tudo o que pudesse fugir do seu auto-controlo era descartado à partida. Preferia subtrair-se à possibilidade de um coração partido do que à soma de uma probabilidade. Por isso, passava pelas pessoas altivo e arrogante, como se fosse dono do mundo e tivesse descoberto a fórmula da sobrevivência, mas enquanto o fazia esquecia-se que não estava a viver. Entretido no dia-a-dia de sempre não via passar por si a acumulação de dias insignificantes por não ter com que os partilhar. E, embora o soubesse lá no fundo, recusava-se a admitir que estava terrivelmente sozinho, porque simplesmente não deixava ninguém entrar. Tinha-se construído de muros e barreiras contra o mundo e contra os outros, e era tão mais fácil ser uma fortaleza sozinho do que acompanhado. Não podia dar a outra pessoa a fraqueza de o poder atingir. Não se dividia. Por isso mantia um certo grau de distância, que o protegia. Tinha criado uma redoma de segurança para que ninguém entrasse, mas também de onde não conseguia sair. E aquilo que acreditava que o estava a salvar, só o castrava na realidade. Porque a praticalidade das suas reacções só apagava qualquer sentimento à nascença. Não havia qualquer espaço para o impulso, para a paixão. Para amar. Racionalizava as acções e isso impedia-o de sentir. De ser. De pertencer. Não via que insistir em alguém era exaustivo e que era esse o motivo pelo o qual ninguém ficava tempo suficiente para lhe mostrar diferente. A mudança teria sempre de vir de dentro e não de fora. E enquanto ele não o deixasse ninguém seria aquilo que ele realmente precisava. Não sabia que enquanto não permitisse a si próprio sentir a vulnerabilidade de um coração que sente, nunca descobriria o que é realmente ser uno ao partilhar-se. Até lá, faria o mesmo de sempre, tentaria enganar-se um pouco mais.. controlando o resultado de todos os seus passos pré-analisados, esperando que continuasse a resultar como até então.

quarta-feira, janeiro 30, 2019

Lugares.


Quando amo o meu lar deixa de ser uma casa, um edifício, quatro paredes, passa a ser uma pessoa, um coração, uma alma. Deixo de pertencer a um sítio para pertencer a alguém. E essa pertença sabe tão bem! Porque me construo na construção que o outro já é. Sou mais, sou plena. Mais completa. Sou uma junção perfeita de duas imperfeições que tentam ser mais do que são. E, quando volto a casa, é à outra pessoa que retorno, esteja ela onde estiver. Porque basta ser, não precisa de existir. Porque não há muros nem barreiras, nem caminhos demasiado longe, apenas dois braços prontos a receber-me como se eu nunca tivesse partido. E é ali o meu refúgio, o meu sítio seguro. O meu lar. A minha pertença. E não há nenhum outro lugar do mundo onde eu preferisse mais estar.

sábado, janeiro 26, 2019

Fica com alguém



Fica com alguém que te ame com o coração inteiro, que não te dê apenas migalhas. Fica com alguém que te queira sempre e a toda a hora, que não tenha vergonha de o assumir ou de o dizer à frente dos amigos. Fica com alguém que te admire, que te inspire a ser melhor pessoa, que quando olhe para ti te veja realmente. Fica com alguém que te apoie, que te encoraje a seguir os teus sonhos, que acredite que és capaz de muito mais. Fica com alguém que te ajude, que não te falhe, que esteja lá sempre que precises e até mesmo quando não precises. Fica com alguém que te estime, que te adore, que te ame, que te encante. Fica com alguém que te complete. Fica com alguém que além de olhar para ti e por ti, te olhe nos olhos. Fica com alguém que não tenha medo das palavras, de partilhar o que pensa e o que sente, de se partilhar contigo. Fica com alguém que adormeça sempre contigo no pensamento e que quando acorde tu sejas primeira coisa em que pensa. Fica com alguém que não te faça ir atrás nem caminhe à tua frente, que ande sempre a teu lado. Fica com alguém que faça tudo para te ver feliz e que não suporte ver-te triste. Fica com alguém que te ligue a meio do dia só para dizer que pensou em ti ou que bateu uma saudade. Fica com alguém que te mande uma mensagem de bom dia quando chega ao trabalho ainda que tenha acordado ao teu lado. Fica com alguém que é a ti que quer contar seja o que for mal acontece. Fica com alguém que não se importe de te ajudar, que se ofereça de boa vontade, de coração, sem fazer um frete ou um favor. Fica com alguém que se preocupe o suficiente para não te deixar andar sem companhia à noite de transportes públicos. Fica com alguém que queira partilhar todos os momentos do dia contigo. Fica com alguém que tanto se partilhe na alegria como na tristeza, que não tenha medo ou vergonha de ser vulnerável à tua frente porque na verdade se torna mais forte contigo. Fica com alguém que, no fim de um dia de trabalho, o seu desejo seja só estar contigo para te dizer como correu o seu dia. Fica com alguém que te proteja, que te faça sentir parte de uma equipa, que sejam vocês contra o mundo. Fica com alguém que não se esconda nem que te esconda, que te assuma perante os amigos e a família. Fica com alguém que sempre te inclua, que nunca te exclua. Fica com alguém que não te minta nem omita, que não faça jogos porque já tem o melhor prémio de todos: tu. Fica com alguém que acredite que tu és a melhor coisa que já lhe aconteceu, que tu és o seu destino. Fica com alguém que te faça sentir a pessoa mais importante do mundo, que não existe ninguém para além de ti. Fica com alguém que te dê certezas em vez de dúvidas, que te faça acreditar mesmo nos momentos difíceis. Fica com alguém que não desista, que insista, que acredite que lutar por ti vale a pena. Fica com alguém que te ame os defeitos e as virtudes, que te ame tal como és e que não te queira mudar. Fica com alguém que te entenda, mesmo quando tu não te entendes porque nem sempre fazes sentido. Fica com alguém que te agarre a mão, que se passeie de mão dada contigo, que não tenha problemas com demonstrações públicas de afecto. Fica com alguém que te faça ser melhor pessoa, que traga ao de cima o que tens de melhor. Fica com alguém que te faça feliz, que te faça rir e sorrir. Fica com alguém que não se importe de te dar o último quadradinho do seu chocolate favorito. Fica com alguém que te ponha a mão em cima do joelho no escurinho do cinema ou quando estão a andar de carro. Fica com alguém que te faça cafuné. Fica com alguém que quando te abrace que te abrace com o corpo todo. Fica com alguém que nunca se esqueça das datas importantes. Fica com alguém que sempre te procure numa sala cheia de pessoas. Fica com alguém que não seja capaz de adormecer chateado contigo. Fica com alguém que seja o teu melhor amigo. Fica com alguém que te surpreenda. Fica com alguém que te prepare jantares à luz das velas e te escreva bilhetinhos românticos de vez em quando. Fica com alguém que te diga e te demonstre que te ama todos os dias. Fica com alguém que te olhe apaixonadamente e que quando te olhe pareça sempre a primeira vez. Fica com alguém que te queira levar a sítios e mostrar-te o mundo. Fica com alguém que sonhe em construir uma família contigo, que queira a casa, os filhos, o cão, o gato, e tudo mais que tu também queres. Fica com alguém que queira construir um futuro contigo. Fica com alguém que escolhe ficar contigo, que apesar de saber que até pode viver sem ti nem sequer ponha essa hipótese. Fica com alguém que dê sentido a todos os clichés de amor. Fica com alguém que te mostre porque é todas as outras pessoas antes não deram certo. Fica com alguém que te ame verdadeiramente.

quinta-feira, janeiro 24, 2019

Anti-Socialidade


Vivemos vidas emprestadas através do ecrã do telemóvel, onde colorimos o que queremos e metemos um filtro para embelezar. Cobiçamos as vidas alheias e julgamos sem remorsos. Escondemo-nos por detrás de um ecrã que nos confere a atitude de deuses do Olimpo. Mergulhamo-nos de tal fora no virtual que nos esquecemos do que está a nossa volta e negligenciamos a família, os amigos, o mundo e mais importante: nós próprios. Esquecemo-nos de viver a nossa vida porque estamos demasiado ocupados a viver a vida dos outros. Pensamos demasiado na opinião dos demais sem sequer formarmos a nossa primeiro. Aprendemos a andar em rebanho seguindo as tendências e as modas, sem nunca sabermos verdadeiramente o que é ser original. Fazemos um Photoshop à nossa vida para parecermos mais interessantes, para que gostem de nós, para termos mais seguidores. E confundimos seguidores com amigos. Trocamos a amizade pela massagem ao ego. Somos as vítimas auto-infligidas de uma sociedade que de social começa a ter muito pouco. Porque cada vez mais nos sentamos todos juntos num pretexto para café e passamos mais tempo de cabeça baixa dentro de um monitor que a olhar nos olhos das pessoas que estão connosco. Descuidamos a interacção e as ligações interpessoais acorrentados à necessidade da password da internet, com a desculpa de que não podemos estar desligados do mundo, quando esse mesmo mundo está à nossa volta e não dentro de uma qualquer máquina.

segunda-feira, janeiro 21, 2019

quinta-feira, janeiro 17, 2019

Separações


As separações são dificeis. Implicam uma mudança, uma adaptação, um crescimento forçado, um lidar com o sofrimento de um sonho falhado. Todos nós já tivemos de viver com um coração partido, e sabemos o quanto custa carregá-lo no peito pesado e estilhaçado enquanto andamos em frente a tentar construi-nos. Todos sabemos o quanto doí... mas também sabemos que sobrevivemos, que o tempo ajudou, que eventualmente passou. Mas enquanto não passa é uma merda! 

O problema de nos embriagarmos com a ideia de amor é a puta da ressaca. E sim, chamo-lhe puta e madrasta e todos os outros nomes que houver no dicionário porque é isso que ela é. O desmame do amor é das coisas mais violentas pela qual se pode passar. A desconstrução de tudo aquilo que sentimos é um processo de reinvenção do qual nem todos somos capazes. Muitos perdem-se no que poderia ter sido, na hipotese. Mas não temos como mudar o passado. Não podemos mudar as nossas escolhas depois de sabermos o resultado. Não podemos viver de "e de?". Porque infelizmente não podemos programar a nossa vida para o melhor resultado possível. Seremos sempre escravos das nossas escolhas e das suas consequências. Resta-nos apenas aprender com elas, aprender a aceitar.

E nada de bom pode acontecer enquanto não deixarmos o passado para trás. Para que possa acontecer temos de libertar espaço em nós que é ocupado por aquilo que já não interessa. Parte de nós a decisão de abandonar tudo aquilo que já não nos faz bem. A decisão de ir ou de ficar, parte sempre de nós e nunca dos outros porque as amarras dentro de nós mesmos precisam de ser quebradas por de dentro. É é difícil. É difícil ficar com o vazio. O eco do falhanço em nós, mesmo que depois venha a ser preenchido por algo melhor. Porque enquanto não o é, dói. Há toda a fragilidade de um ego magoada, a carência de uma alma... Mas faz parte do crescimento essa melindrança. É que o que não nos mata torna-nos mais fortes. Ainda que não o sintamos ou vejamos.

terça-feira, janeiro 15, 2019

Toda ela era feita de sonhos e imaginação.

Imaginei-te. Fiz-te meu. Mudei-me. Por ti. Para ti. Acreditei que seriamos nós, que ja um éramos. Não sei se inocente ou idiotamente. Mas acreditei. Cri no inicio, na esperança de um começo. Mas tropecei em mim própria no primeiro passo. Achei que bastaria saltar, que estarias lá para me agarrar. Mas não estavas porque nunca exististe realmente, sem ser dentro de mim. Porque te imaginei. E imaginei-te perfeito mesmo dentro das tuas imperfeições. Porque te fiz real. Quis acreditar na história que me vendias, no principe encantado e no final feliz. Deixei que o romantismo em mim falasse e me toldasse os sentidos. Fiz-te mais do que eras. Mais do que serias. Mais do que alguma vez merecias. Mas no fim não eras tu quem existias, era apenas eu. Um reflexo de mim numa pessoa que não conhecia.

domingo, janeiro 13, 2019

Pedidos.


Faz-me respirar todo o teu ar e salva-me do destino que se aproxima. Deixa-me expirar-te enquanto me inspiras. Desperta-me os sentidos antes que este sono me acumule nas trevas. Liberta-me desta dormência e faz-me viver. Desliga-me desta miopia emocional que me acorrenta. Faz-me de ti dando-te a mim. Constroi-me na imensidão daquilo que me podes dar. E deixa-me ser só para começar a existir.

quarta-feira, janeiro 02, 2019

segunda-feira, dezembro 31, 2018

A casualidade de uma relação (ou não)


O casual não é para mim. Fazem-me falta os sentimentos. O sentido de posse, de pertença. Essa coisa do "aqui, agora, e amanhã logo se vê" não se coaduna com a minha vontade de futuro. Anseio e ensejo muito mais. Sou de planos e sonhos. De construções sólidas e edificadas. Não consigo viver nesta onda das relações instantâneas, em que é sempre mais fácil desistir e passar à próxima pessoa do que realmente perder tempo e paciência a construir algo de valor.

Mais, assusta-me a facilidade com que se substitui uma pessoa, a fugaz importância que temos uns para os outros. A realidade é que ninguém se está para dar ao trabalho e à minima coisa cada um segue o seu caminho. Não sei se influenciados, ou não, pelos filmes e por todas aquelas histórias de encantar que nos vendem quando somos pequenos (e que nos continuam a vender vida fora), mas buscamos a pessoa perfeita, a relação perfeita, a união transcendental daquela que deve ser a nossa outra metade e nos completar para lá que o seria imaginavel (e realista). O que, como é óbvio, nos condena ao redondo falhanço. E passamos de pessoa em pessoa, numa busca supérflua e infrutífera, consumindo os outros como se fossem fast food. Não criamos laços ou raizes, não deixamos que passe tempo suficiente para construirmos um nós. Esperamos acertar à primeira, sem sequer entender que as relações dão trabalho (muito trabalho!), e que ser feliz não é um destino mas sim um caminho. E mais, esse caminho está cheio de buracos e pedras e curvas e de tudo o resto... Não é um passeio no parque. Ou melhor, com sorte, até é, mas não é o é sempre.

Porque nenhuma relação é sempre feliz ou sempre apaixonada ou sempre qualquer outra coisa que imaginávamos. E quem já partilhou a sua vida com alguém, sabe perfeitamente que a rotina, o dia-a-dia, a convivência diária com o outro, vai matando o romance. As borboletas desaparecem. Não quer dizer que não possam voltar. Porque podem, mas certamente não permaneceram. Porque as relações são feitas de altos e baixos. E, muitas vezes, também nos desencantamos... seja porque nos acomodamos, porque esperavamos mais, ou porque já não novidade. E aí, podemos ou ajustar as expectativas para um nível aceitável de realidade, ou aceitar que tudo é mutável e se transforma e que isso não tem de ser categoricamente mau, ou fazer alguma coisa para mudar o que não nos agrada. O que acontece é que chegados a este ponto, as pessoas simplesmente desistem da outra, partem para a próxima, porque é mais fácil, mais comodo, menos trabalhoso e, na maior parte das vezes, mais aliciante.

E perde-se pelo o caminho tudo o que se construiu, tudo o que se viveu, tudo o que se partilhou. Sem nos apercebermos que quando o fazemos apenas nos estamos a perder a nós próprios, porque enquanto o fizermos seremos sempre seres inacabados.