


Aqui a minha mente percorre os seus caminhos tortuosos e materializa o mundo em que vive. Aqui nasço e vivo dentro de mim própria. Aqui sou eu e apenas eu, sem qualquer artificio ou algo no género que te faça gostar mais de mim. Aqui me tens, assim, tua.


Porque há dias em que certas músicas fazem mais sentido do que em noutros....


Hoje é o Dia Mundial da Criança... Dia esse que passa um pouco despercebido àqueles que não têm filhos. Mas mais que os "nossos" filhos, urge a necessidade de pensar nos filhos dos outros. Filhos de um mundo que não foi mãe mas sim madrasta. Crianças à mercê de um destino que dificilmente lhes dará grandes oportunidades. Esquecemo-nos deles, muitas vezes. Vezes a mais. Talvez por esta realidade se encontrar um pouco longe de nós... Costuma-se dizer que só nos toca o que está perto. Mas se fecharmos os olhos e tentarmos ver com o melhor lado da nossa alma, veremos essas crianças perdidas na nossa memória... imagens recolhidas de revistas, jornais e televisão... Imagens escondidas em nós. Imagens que preferimos esquecer e deixar no fundo da gaveta da memória, porque lá elas não são capazes de nos fazer mal, de nos tocar. Mas, por muito que tentemos, elas estão lá e são reais. E, urge, pelo menos hoje, que pensemos nelas... porque hoje também é o seu dia! Dia do qual elas não conhecem existência, tal como da comida e da roupa que não tem... ou dos serviços médicos e condições mínimas de higiene que não possuem... Mas são crianças! Como as nossas! Apenas, a maior parte delas não chegará a adulto... Serão para sempre crianças!! Crianças tornadas em anjos depois de morrerem.
Numa pequena cidade do Norte de Moçambique, o 25 de Abril de 1974 é recebido de forma peculiar… O português Lourenço de Castro, inspector da PIDE, perturbado pela morte do pai, vive com a mãe, Margarida e com a tia Irene. Lourenço de Castro conhece o que é ser membro da PIDE em solo africano, essa «fabricação do medo» que mais não é do que o medo do próprio futuro. “Vinte e Zinco” é uma reflexão sobre o significado da Revolução e sobre as vidas cruzadas de estrangeiros que vivem em território colonial e aqueles que acreditam no poder da terra, o que ela aceita ou não. Oscilando entre dois tempos diferentes, o passado e o presente, mas também o tempo interior, as personagens agem e narram-se simultaneamente a si próprias, como se reordenando o tempo ele se pudesse corrigir. Nesta curta história de memórias, onde a literatura, a história e a ficção se entrelaçam, conta-se o arrivismo português nas colónias negras, a distância que separa os colonizados dos colonizadores.