sexta-feira, fevereiro 16, 2018

Perdas.



Dizem que maturidade é saber o que dizer, quando dizer, a quem dizer. Saber usar os filtros. Como se lidar com o outro fosse um jogo de tácticas apuradas para chegar ao resultado pretendido. Quase como uma manipulação pré-programada das emoções do outro. E é sempre mais seguro, a reacção é claro condicionada. Mas não será a verdadeira maturidade saber lidar com a honestidade e sinceridade? Saber encaixar a verdade do outro na realidade que somos. Sair da nossa perspectiva e ver para lá do nosso óbvio. Porque os outros não são iguais a nós. Nem têm de o ser. Eles existem. E existem dentro da sua imperfeição, com todas as suas dores de crescimento e cicatrizes. Com medos e receios, desejos e ensejos. E, não será melhor uma palavra sincera de quem abre o coração ao outro do que uma palavra calada de quem não tem liberdade de ser si próprio? Infelizmente parece que não. Porque crescemos na premissa errada de que os outros têm de ser aquilo que esperamos deles, que apenas tem direito a ter opiniões e medos próprios se corresponderem aquilo que consideramos validativo. E deitamos fora o original, o incomum, e tudo o que não cai dentro dos nossos padrões, porque não sabemos lidar com a diferença. Porque, neste mundo ao contrário, optamos pelo seguro e conhecido. Preferimo-nos como seres inacabados a aceitar aquilo que consideramos as falhas dos outros, só porque eles tiveram a ousadia de falar a sua cabeça. Por isso, não consigo deixar de me perguntar quantas oportunidades perdemos por não sabermos ouvir o outro. Quanto mais poderíamos ser se nos sentíssemos seguros a ser mais nos próprios do que aquilo que o outro presume que devêssemos ser. Mas somos maduros, adultos nas nossas escolhas... nesta semi-maturidade de quem acredita que a omissão ou a mentira é sempre a escolha mais apropriada. Mas, no fim, nenhuma delas nos traz de volta as oportunidades perdidas. Quanto a mim... eu prefiro perder a ser a verdade que sou do que ganhar com batotice algo que no seu âmago nunca seria verdadeiro. Porque o que não partilhamos não se dissipa, apenas nos consume até nada de nós verdadeiramente existir. Prefiro a infantilidade da minha alma perfeitamente imperfeita à capa de mulher segura do vazio que traz em si. E sim, poderia ganhar mais me calando. Mas ganharia perdendo. Perdendo-me a mim. Portanto, aceito a perda de quem não me vê na multiplicidade de pessoas que sou. E creio que não eu quem verdadeiramente perde.

quarta-feira, fevereiro 14, 2018

Postais originais para o Dia dos Namorados

Dia dos Namorados que é Dia dos Namorados tem de ter impreterivelmente um postal!! Sim, é uma regra!! Porquê? Porque eu o estou a dizer, como é óbvio!! Ou não fosse eu uma autoproclamada romântica à... vá: X anos (que a minha idade agora também não interessa nada aqui para o assunto). Onde é que estava mesmo? Ah, sim... os postais. Nada diz um "Amo-te muito" (ou se não quiserem tanto, porque às vezes essas palavras dão comichão na garganta, um "Gosto muito de ti") como um postal original que nós, meninas podemos depois guardar e reler (depois de esfregarmos na cara das amigas - OBVIO!!! -, ou, agora visto que estamos na época moderna e tal, escarrapachar nas redes sociais) e voltar a reler uns tempos mais tarde com um sorriso nos lábios a pensar "Ah e tal, ele era tão querido ao inicio" ou usar por aí nalgum ritual de voodoo a fim de... digamos, dar (porque é bonito dar) algo ao outro, porque ele simplesmente merece.
Portanto, caras metades que ainda não compraram (ou fizeram) um postal lindinho para oferecem neste dia tão especial, ficam aqui umas sugestões bem giras para este dia:



















Banda sonora de hoje:


If you're ready, heart is open 
I'll be waiting 
Come find me 

If you're searching for forever 
I'll be waiting 
Come find me

segunda-feira, fevereiro 12, 2018

Só existo em ti.


Só existo contigo. Quando estamos juntos sou mais eu do que alguma vez fui sozinha ou acompanhada. E, quando me tocas, sinto que a tua mão nunca devia ter saido de mim, que não é uma primeira vez mas um retorno a casa. E assusto-me. Tenho vontade de fugir. De correr. E, logo a seguir, de voltar a ti. Sinto uma esquizofrenia de sentimentos, que se baralham e me confundem. E sou louca. Louca por ti. Mesmo que não tenha a coragem de o te dizer. Mas ainda assim sempre a um passo de me ir embora. De escapar. De ir. Porque tenho medo. Tenho receio. Porque, pela primeira vez, não me encontro em controlo. E não sei como agir. E espero. Espero por ti. Espero por nós. E no meio do espero desespero. Porque nunca soube como o fazer. Porque se me precipita a impaciência e me desassossega a serenidade. E equaciono novamente me escapulir. Me evadir. Simplesmente ir. Na esperanca que se o fizer tu não me deixes. Que sejas mais em mim do que eu sou naquele momento. Que me dês a segurança do nós que não alcanço nas minhas dúvidas. Porque sou meramente humana. E, muito provavel, um ser inacabado. Talvez por isso me amedrontes. Porque... quando existo em ti, não sei se és o meu fim ou o meu começo.

sexta-feira, fevereiro 09, 2018

Uma questão de tempo


E tudo parecia uma mera questão de tempo. Tempo até os seus mundos eclodirem por completo. Tempo até o espaço e distância que os separam se desvanescerem em absoluto. E o incerto era indubitavel. Não havia como fugir ao axioma do acaso. Eles juntos eram mais do que a premissa, embora o tentassem negar vezes a mais. O medo, o receio do que poderia ser, do que poderia advir, atrasava-lhes os passos. Mas a descoberta mutua não conseguia ser contida. A vontade era uma necessidade impressa em ambos. E podiam contrapor, contradizer, contestar, ou até mesmo recusar, denegar ou refusar, que o efeito pratico seria sempre o mesmo. O impeto encontrava-se demasiado perto do ensejo para que pudessem arguir contra eles próprios. Por isso, a cada passo que davam, ficavam apenas mais perto do precipicio que já eram. E o salto... o salto seria apenas mais um passo, despercebido entre todos os outros. Porque o parar não era hipotese, embora pudesse e fosse constamente equacionada. Mas havia uma história por contar e isso não estava sob o controlo deles. A narrativa iria desenrolar-se independemente deles e os papeis de meros espectadores acabariam por se diluir nas personagens principais que sempre estiveram destinados a ser.

quarta-feira, fevereiro 07, 2018

Ela.



Ela era um ser complexo. E isso era fascinante. Intrigava-o. E quanto mais a conhecia mais ela parecia não acabar. Ela não se esgotava nas palavras nem nos olhares e tudo nela tinha uma profundeza de significados e sentimentos. Ela era tão mais do que aquilo que aparentava ser… talvez por isso tivesse passado tão despercebida até então. Mas desde que os seus olhares se tinham cruzado que ela o tinha de certa forma prendido. Pensou, na altura, ser uma mera curiosidade e desrelevou o que tinha acabado de acontecer. Até ela se ter instalado de mansinho nele, sem que ele desse conta, dia após dia, crescendo e ganhando espaço. Porque cada vez que se olhavam e sorriam, não era apenas um olhar ou um sorriso que partilhavam, partilhavam-se a eles próprios um com o outro ainda que em silêncio. E quando ele lhe perguntou, finalmente, o nome, ele já não precisava realmente de o ter feito, podia muito bem lhe ter chamado sua. Porque ela já o estranhamente o era. Ela cativara-o. E fizera-o sem realmente nada fazer. Apenas por ser. E ele, ainda que tendo vivido mil vidas, nunca tinha conhecido ninguém assim. Talvez por isso fosse tão difícil explicar aquele ímpeto que sentia. Porque era cru, era bruto, era forte. E não tinha tempo nem espaço. Não tinha razão ou racionalidade. Apenas era. Existia. Tal como ela. E pesava-lhe. Pesava-lhe a solidão e o contentamento. As escolhas acumuladas por displicência. E, no seu amago, no componente da parte mais particular e intima de si, enquanto individuo, e enquanto homem, desejava ter estado pronto para ela. Para a sua chegada. Para a ter recebido com mais do que tinha agora para lhe dar. Para que nela não houvesse hesitações ou incertezas. Para que ela se arriscasse nele. Porque ela… ela poderia muito bem ser, se já não o era, aquilo que sempre lhe faltara.

terça-feira, fevereiro 06, 2018

Aquilo que leio.


Gosto da forma como conjugas as palavras. Do sabor que deixam na minha boca. Há sempre qualquer coisa na forma como as dizes, na forma como as escreves… como se já tivesses ensaiado todas as nossas conversas anteriormente até saberes exactamente como me dizeres. Porque me dizes. Mais do que falar, dizes-me. Dizes-te. Falas como se me beijasses a cada palavra. E o que dizes vai muito para lá das letras que usas porque a cada palavra deixas-me completamente presa nas tuas entrelinhas. E, ainda que haja filtros, não há qualquer pontuação naquilo que dizes, apenas o emaranhado de frases que és, que somos, uma composição demasiado estranha e complexa. E isso perturba-me. Molesta-me. Brinca com os meus sentidos. Porque não o controlo. Porque me leio em ti.

sexta-feira, fevereiro 02, 2018

E quando o tempo que tenho de ti

não é tempo suficiente para te ter ainda que não te tenha verdadeiramente? E quando tudo o que quero é mais, ainda que não devesse querer nada e ainda que não saiba sequer o que quero?

terça-feira, janeiro 30, 2018

Acabei de ver

1ª temporada de "Mindhunter"

1ª temporada de "The gifted"

segunda-feira, janeiro 29, 2018

Palavras em silêncios

As palavras são coisas perigosas. Quando dadas conferem poder aos outros. Quando proferidas tornam tudo mais real. As palavras constroem curvas e caminhos, indecisões e subterfúgios. As palavras desconstroem-nos. Desconstroem-me. E eu sou feita de camadas. Camadas que instruí e construí. Camadas que não te permitem ver mais do que deixo. Camadas que te mantêm longe. Camadas que me protegem. E tu vens assim e pedes me palavras como se me pedisses vírgulas quando tudo o que eu tenho são mais reticências... e pedes como quem não pede nada sem saber que me pedes tudo. E eu não tenho tudo para dar. Por isso não me peças palavras, não me peças tudo, não me peças nada. Aceita-me assim, em silêncio.

segunda-feira, janeiro 22, 2018

Conforto na ideia

Conforta-me a ideia que de existimos por ai em algum universo paralelo. Gosto de pensar que uma versão de nós teve a força e a determinação de lutar pelo nosso amor, que soube sempre o que fazer a cada curva e obstáculo ou que, se não soube, acreditou e confiou no que poderia de lá advir. Porque nós transformámos o dificil no impossivel, faltou-nos a convicção na vontade e a força no empenho. Deixámo-nos engolir pelas adversidades no caminho. Não acreditámos que o dificil não é impossivel. Porque não o é. O dificil é apenas um desafio maior que acaba por ser uma melhor recompensa quando conseguido. Mas a falta de maturidade ou inexperiência ou até mesmo o desconhecimento de nós próprios ou do outro ou até mesmo da vida, fez com que acabassemos por crescer em sentidos opostos. Por isso, consola-me essa ideia que um nós ainda persiste e existe. Um nós resiliente e teimoso. Um nós feliz. Um nós que não desperdiçou o tempo e o empenho. Um nós que foi aquilo que não tivemos a coragem de ser. Que foi mais. Que é mais.

domingo, janeiro 14, 2018

Morrer de amor


Li em algum lado que devíamos morrer de amor quantas vezes fosse preciso até encontrarmos a pessoa certa, e embora perceba o sentimento adjacente teimo em discordar. Nada é mais triste do que ver um amor morrer e nada é pior do que morrer de amor. Porque quando morremos de amor morre também uma parte de nós, uma parte bonita. E a cada morte só nos tornamos cada vez mais frios e indiferentes. É que quando se morre de amor há coisas que se perdem para sempre. Acho sim que devemos tentar e viver os desenganos até chegarmos aquele alguém que é o nosso destino, e sei que os desgostos fazem parte da aprendizagem que enquanto pessoas todos nós temos de passar para amadurecer e crescer. Mas a morte de um amor é como a própria palavra diz uma morte e uma morte não se pode tomar de ânimo leve, a morte não é um novo começo, é um fim. Um fim duro e triste. Entendo que estejamos condenados aos desencontros do coração, mas espero que perante esses desfasamentos apenas nos encolha o coração. Porque é normal, faz parte do processo. Também precisamos de tempo para nos sarar e interiorizar tudo aquilo que não correu como o planeado, nem que seja por todo o investimento emocional que cada um de nós faz sempre que enceta uma relação. Mas é um mero encolher do coração... depois ele poderá novamente crescer e expandir se, se calhar até um tamanho maior do que tinha. Porque não morreu, apenas teve de se superar. E o problema de morrer de amor é que além de morrermos um pouco com ele ele nunca morre verdadeiramente e também deixa um pouco de si, dessa sua morte connosco, para nos assombrar no próximo. Portanto agora recuso me a ter de morrer de amor porque quando o morrer morrerei de vez... já não tenho assim tanto de mim para dar.

sexta-feira, janeiro 12, 2018

Acabei de ver:

a primeira temporada de "The End of the F***ing World"


a primeira temporada de "3%"

quarta-feira, janeiro 10, 2018

As palavras perdidas

Escrevi-te tantas cartas que nunca te cheguei a entregar, sabias? Inspiravas-me a escrever. Tinha sempre tanta coisa para te dizer que nunca o conseguia realmente fazer. Sempre achei que faladas as palavras nunca saiam exactamente como eu as queria dizer. O papel sempre as exprimiu melhor. Não que eu as escrevesse e as depois as fosse rever ou apagar ou modificar, quando as escrevia ficavam bem logo à primeira, mas não sei… talvez fosse a tua presença que não me permitisse a clareza de pensamento. Contigo sempre me atropelei um pouco. E a verdade é que é sempre mais fácil ter monólogos do que conversas, porque as conversas tendem sempre a não seguirem o caminho que esperávamos e apanham-nos nas contra curvas, porque simplesmente é impossível prever todos os cenários, antecipar as palavras dos outros, e como tal perdemo-nos no caminho. Eu perco-me. No papel não há erros, não há curvas, não há voltas não antecipadas. Não há interpretações ou tons de voz. Há apenas a palavra nua e crua, o charme da construção frásica do sentimento que se acumula ou o até mesmo a dissipação da frustração. E é este mesmo desfasamento que me torna mais focada, mais certa de mim e de ti e de tudo o resto, como se ganhasse quase uma visão clarividente de como tudo se deve processar. No papel, sou a minha versão melhorada. Uma versão que nunca te dei nas cartas guardadas. Faltou me a coragem ou a vontade, não sei bem. Mais uma vez, sobrou-te a parte mais humana de mim, a que tens defeitos e se atropela. A que se exalta e que é só emoções. E tenho para mim que talvez a outra de mim fosse mais a teu jeito. Mas foi esta que tiveste e amaste. A outra não existiu para lá da minha caneta e da minha gaveta. Nunca a chegaste a descobrir. Mas talvez também nunca a tenhas procurado verdadeiramente. E agora nunca nenhum de nós saberá o que estaria do outro lado do espelho… e tu provavelmente nem nunca te porás essa hipótese, porque tal como as outras esta carta também nunca sairá de onde sempre esteve.

Alguém não recebeu o memo do "ir de preto" aos Globo de Ouro =P

Blanca Blanco


Barbara Meier

segunda-feira, janeiro 08, 2018

Os vestidos assim assim dos Globos de Ouro 2018

Naomi Campbell

Elisabeth Moss

Simone Garcia Johnson

Carly Steel

Alexis Bledel

Kendall Jenner

Viola Davis

Kelly Clarkson

Rachel Brosnahan

Geena Davis

Os vestidos "quase lá" dos Globos de Ouro 2018

Nicole Kidman

Margot Robbie

Penelope Cruz

Halle Berry

Kate Hudson


Dakota Johnson

Jessica Biel

Gal Gadot

Emilia Clarke

Debra Messing


Kerry Washington