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sexta-feira, fevereiro 26, 2016
Os 20 anos.
segunda-feira, janeiro 25, 2016
Conversas.
Gostava mais das nossas conversas antes. Sentia-lhes mais substância. Talvez me digas agora que as palavras são iguais, que nada mudou. Talvez seja de mim o sentimento. Mas sinto-lhe a falta. Não me perguntes é do quê, porque não saberei responder-te. Não sei como dizer-te que agora tudo o que oiço é cinzento, que não há cor nas tuas letras, que se me apagou o brilho. Talvez seja possa ser um daltonismo do coração. Talvez algum de nós esteja doente. Ou talvez, na hipotese mais infeliz de todas, algum de nós tenha morrido pelo caminho.
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segunda-feira, janeiro 04, 2016
Compulsões.
Se não existe em ti a compulsão de partilhar aquilo que te revolve o interior de tanto que é, então aquilo que sentes nunca será uma porta para algo maior.
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sábado, dezembro 12, 2015
Uma versão menos concentrada de si mesma
Naquele momento, contra tudo o que sempre tinha acreditado, soube que, de certa forma, era aquilo que precisava: uma coisa sem futuro. Uma coisa sem futuro tirar-lhe-ia o peso de cima, a carga emocional do que vem sempre adjacente. E ela sabia que se não houvesse um futuro para começar, não haveria nada sobre o qual obcecar. Apenas importaria e relevaria o presente. Não haveria planos a não ser os imediatos. Não haveria a ilusão de continuidade. Haveria apenas o agora e o enquanto der. O que na realidade poderia bem acabar por ser muito mais verdadeiro do que tudo o resto que já tinha tido. Porque a verdade é que o amor só tem pretensão a eterno quando alimentado de sonhos.
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sexta-feira, dezembro 04, 2015
A porta entreaberta que sou
Gosto da forma como vês. Não sei se algum outro já me viu assim. Talvez não tenham tido a ousadia de olhar. Por mim. Para mim. Através de mim. Nem todos sentem a curiosidade de espreitar pela porta entreaberta que sou.
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segunda-feira, novembro 30, 2015
É perigoso.
É perigoso alimentares-me a curiosidade.
E é ainda mais perigoso alimentares-me a alma.
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sábado, novembro 21, 2015
Porque me esgotas na impossibilidade?
Porque me esgotas assim na impossibilidade? Porque deixam agora as minhas palavras de fazer sentido? Terei eu mudado? Estranho. Sinto-me igual. Seria de esperar que soubesse que tinha porventura mudado...
Olho-me ao espelho e, apesar das pequenas rugas de expressão, vejo que nenhuma outra se juntou a elas. Não mudei. Não envelheci. Estou mais velha. É certo. Talvez mais pesada. Uma grama ou duas na alma. Mas sou capaz de jurar que ninguém mais o vê. A vê. O meu corpo, esse, ainda mantém a temperatura quente de quem se permite sentir e nos lábios, nesses, ainda permanece o gosto doce de quem ousa provar. Por isso, vasculho um pouco mais à procura da diferença. Um pouco mais fundo. Mas sei que nem tão pouco o aroma a noites de Verão do meu perfume se gastou com a brisa dos dias em mim. Ainda jazem aqui os sentimentos de outrora. Os sonhos e os desejos continuam no sitío onde os deixei da última vez. Deve ser por isso que não entendo.
Seria de esperar que soubesse que tinha porventura mudado... Sinto-me igual. Estranho. Terei eu mudado? Porque deixam agora as minhas palavras de fazer sentido? Porque me esgotas assim na impossibilidade?
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quinta-feira, novembro 12, 2015
Escrevi-te.
Voltei a escrever-te. Hoje escrevi-te. Escrevi-te três vezes. Escrever-te-ia mais se me sobrasse o tempo. Ou a coragem. Assusta-me esta ânsia de te dar as palavras. De te presentear de mim. Tenho medo do que esta dádiva possa ser. Do que o dom possa trazer. Receio que me despojes nas letras. Porque sei que o és capaz de fazer.
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quarta-feira, novembro 11, 2015
Um nós diferente.
Porque te apressas tu a deitar um nós fora só porque ele não é o que imaginaste que fosse? Não é melhor um pouco de nós do que nada de tu e eu? Não seremos mais ambos na soma das nossas individualidades do que na desistência daquilo que não podemos ser? Não te devo eu orgulhar-me da sinceridade pesada que carregas? Não me deves tu orgulhar-te do princípio intrínseco em mim? Não somos eu e tu mais nós agora do que éramos antes de nos conhecermos?
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terça-feira, novembro 10, 2015
Ele. Ela.
Ela, era uma miúda. Podia ser uma miúda, mas não era uma garota. Sabia o que queria da vida. Sempre soubera. Desde muito nova. Talvez mesmo desde sempre. Mas não era uma mulher. Nunca se sentira como tal. Sentia-se perdida na vida. Pensara que, por aquela altura, estaria num local completamente diferente. Que seria outra. Não ela. Aproximava-se terrivelmente daquela idade em que todos os outros já eram alguém. E ela, ainda era ela. Apenas ela. E era esse apenas que a reduzia. Não que não gostasse de quem era, mas sim por acreditar que podia ser tanto mais se ao menos o fosse acompanhada. Talvez fosse isso que a impedisse de evoluir em si própria. De ser mulher. Talvez precisasse de um homem que fizesse dela mulher. O seu coração cheio de sonhos também precisava de afectos. Mas isso já não a preocupava. Sabia que a sua história já tinha começado, mesmo sem a sua autorização. Portanto, era agora apenas uma questão de tempo. Seria apenas mais um apenas.
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segunda-feira, novembro 09, 2015
Tu és. Eu sou.
Eu sou a criança curiosa. Receosa do caminho. A miúda pequenina que se distrai. Que sai do traçado. Que sente a necessidade do inexplorado. Que sonha com o céu e as estrelas. E que pára e se deita na terra a contemplar o universo.
Tu és a estrada a percorrer. A linha contínua que indica o passo seguinte. O asfalto duro e frio que desaparece mais à frente na penumbra da noite. O pedaço de chão quente que vai para lá do que a minha vista alcança.
Eu sou a caminhante. A exploradora que vê tudo pela primeira vez. A que faz malas e parte em direcção ao desconhecido. A que arrisca a perder-se. A que esquece a rota porque não se importa em chegar.
Tu és a bússola. És o norte e o sul. És o quadrante que orienta os marinheiros. És o caminho de volta.
Eu sou o carro. Sou o barco. Sou o veículo que deriva e vagueia. Sou o sapato. Sou o pé. Sou o passo irregular.
Tu és o lar. És a casa. És a escola. És a história. És a palavra. És a letra.
Eu sou a gravidade. Sou o átomo. Sou o início. Sou a magia. Sou o som.
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sábado, novembro 07, 2015
Tu ave, Eu farol
Sim. Eu sei que estou a ser egoísta. Quero sugar-te tudo o que trazes contigo e pouco já tenho para te dar.
Quero-te a ti como quem quer a fonte da vida eterna. Sou Ponce de Leão, sou Drácula, sou um cavaleiro procurando o Santo Graal.
Quero a tua juventude, a tua beleza, quero o teu corpo e a tua ousadia.
Quero aquela parte tão misteriosa, e no entanto tão reveladora que tentas guardar em ti e que desvendo entre as linhas dos textos que me engancham como um anzol deixando-me à mercê de elementos que não meus.
Eu sou água. Tu és fogo.
Eu sou um velho farol fustigado pelos ventos, ondas e marés com paredes destintadas pelos anos. Tu és a ave que me sobrevoa em círculos diários deixando-me zonzo pela persistência do voo, pela elegância das formas que desenhas nos céus. Pelo desejo de sair. De liberdade.
E tu és tão jovem.
E na tua juventude eu descubro uma inteligência e uma perspicácia que poucos conseguem obter tão cedo. Porque a vida não dá tudo de uma vez. Não podes ter esse corpo que me alerta os hormônios e essa mente tão madura em simultâneo. Não podes, não deves. Uma coisa de cada vez. Uma coisa ou a outra. A juventude ou a maturidade. O corpo de ninfa ou a ponderação.
E é verdade que a maturidade se alcança cedo. Mas não tão cedo. É um mito que ela se ganha pela vida. Ganhamo-la a um terço. Depois andamos em roda de nós próprios, fazendo loopings dos acertos e das asneiras que cometemos e recometemos pela vida. Tal e qual um cão a correr atrás da sua cauda.
E para pararmos de andar aos círculos temos de encontrar um rumo. Uma meta. Uma mulher.
São raras as que tomamos como nossas. São raras as que cobiçamos assim.
Uma folha quase em branco e que contudo parece ter resistência suficiente para que nela caiba tudo. Tudo o que lhe queremos escrever. Uma história, uma saga. Um poema, uma fábula.
Eu sou um escritor. Não posso escrever sobre folhas já escritas nem consigo concentrar-me em páginas que não estejam imaculadas.
Porque eu não sou imaculado. Pelo contrário carrego um lastro de memórias e esquecimentos, de gostos e de desgostos, de paixões e compaixões, de impulsos e retraimentos, de recordações e arrependimentos, de olhos verdes, castanho e negros, de corpos esguios e voluptuosos, de camas, de carros, de cidades e de pinhais, de cartas e de mensagens, de telefonemas durante a noite e encontros durante o dia, de lágrimas e risos, de zangas e de pazes.
Trago um mundo em mim.
E trazer um mundo dentro de nós é como trazer uma caixa de Pandora pronta a espalhar o mal, não pelo planeta mas por um mundo com o nome de quem nos unimos.
Porque em mim há uma réstia de esperança de fazer viver a vida a alguém mas há também a semente para a desilusão.
Há risos e lágrimas sim. Há aventura, adrenalina, loucura e descobrimento. Há sims! Mas também há complexos intrincados multiplicados e emaranhados que podem enredar como os fios de uma aranha.
Se Estar comigo pode ser uma montanha russa, Ser comigo é um salto para o abismo esperando sair vivo dessa decisão. É uma aventura? Sim. Mas não é uma aventura começar uma qualquer relação?
És ainda uma folha em branco por onde eu posso escrever.
O pouco que portas não passa ainda de pequenas glosas que mais tarde poderás utilizar no texto principal. Por ora não passarão de notas à margem, anotações de quem espera ainda escrever o grande romance da sua vida.
Eu poderei ser mais uma dessas notas.
Ou não.
Agarra-me ou voa para longe.
Serás então ave eu farol. Tu vento e eu pedra. Tu maré que recua e eu areia que fica.
Paulo Caiado
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