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sexta-feira, janeiro 29, 2016

Republicar "Sinto-te a falta"

Amor

terça-feira, junho 02, 2015

Republicar "Já Foste"

Fica com alguém que não tenha dúvidas

Quando nós queremos muito uma pessoa, nós tendemos a enganar-nos a nós próprios. Nós tentamos encaixar aquele outro ser humano em posições que nunca foram dele. Nós clamamos ao universo para um sim em algo que já começou destinado ao não. Nós queremos, e então batemos o pé e fazemos birra como uma criança para conseguir. Mas um dia nós percebemos que amor tem que ser uma via de sentido duplo. Amor tem que ser fácil, tem que ser bom, tem que ser complemento, tem que ser ajuda. Amor que é uma luta constante é sofrimento. Amor que rebaixa é dor. E então nós aprendemos que amor que não é amor, não encaixa, não embeleza, não serve.

Fica com alguém que não tenha conversas dúbias. Que não te enrole. Que não tenha meias palavras. Que não dê desculpas. Que não crie barreiras no que deveria ser fácil e simples. Fica com alguém que saiba o que quer e que queira agora.

Fica com alguém que te assuma. Que ande ao teu lado com orgulho. Que te apresente aos pais, aos amigos, ao chefe, ao empregado de limpeza da firma. Que segure a tua mão ao andar na rua. Que não tenha medo de te olhar apaixonadamente na frente dos outros. Fica com alguém que não se importe com os outros.

Fica com alguém que não deixe existir zonas nebulosas. Que te dê mais certezas do que perguntas. Que apresente soluções antes mesmo dos questionamentos aparecerem. Fica com alguém que te seja a solução dos problemas e não a causa.

Fica com alguém que não tenha traumas. Que não tenha assuntos mal resolvidos. Que saiba que para ser feliz, tem que deixar o passado passar. Fica com alguém que só tenha interesse no futuro e que queira esse futuro contigo.

Fica com alguém que te faça rir. Que te mostre que a vida pode ser leve mesmo em momentos duros. Que seja o teu refúgio em dias caóticos. Fica com alguém que quando te abraça, o resto do mundo não importa mais.

Fica com alguém que te transborde. Que te faça sentir que tu vais explodir de tanto amor. Que te faça sentir a pessoa mais especial do universo. Fica com alguém que dê sentido a todos os clichês apaixonados.

Fica com alguém que faça planos. Que veja um futuro ao teu lado. Que te carregue para onde for. Que planeie contigo um casamento na praia, uma casa no campo e um labrador no quintal. Fica com alguém que apesar de saber que consegue viver sem ti, escolha viver contigo.

Fica com alguém que não se esconda. Que não te esconda. Que cada palavra seja direta e clara. Que não dê brechas para o mal entendido. Que faça o que fala e fale o que faça. Fica com alguém cujas palavras complementam as suas ações.

Fica com alguém que te admire. Que te impulsiona para a frente. Que te apoie quando ninguém mais acreditar em ti. Que te ajude a transformar sonhos em realidade. Fica com alguém que acredite que tu és capaz de tudo aquilo que queiras.

Fica com alguém que tu não precises convencer de que tu vales a pena. Que não tenha dúvidas. Fica com alguém que te olhe da cabeça aos pés e saiba, sem hesitar, que és tu e só tu.

Fica com alguém que te faça olhar para trás e agradecer por não ter dado certo com ninguém antes. Fica com alguém que faça não existir mais ninguém depois.

sábado, dezembro 21, 2013

O lado negro do Touro

Andava eu a navegar pela internet quando decobri um texto muito giro intitulado "O lado negro dos signos", que é uma fiel representação com humor dos signos que nos caracterizam. Quem tiver curiosidade de ver o artigo inteiro pode clicar aqui.

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…Touro…
Meus quatro melhores amigos são taurinos. Então posso dizer que conheço a raça. E que raça!
E são amigos de longa data. Como são as amizades taurinas. Sólidas.
A primeira coisa que me vem à cabeça é o egoísmo. O Touro é muito egoísta. Só consegue ver as coisas sob o seu ponto de vista. E pronto! Ele está certo, sua opinião tem mais peso. E o pior é que não costumam mudar de idéia.
O bom do touro é que ele sempre tem um ‘dinheirinho’. Sempre. E se ele empresta ou te dá algum, colega, é porque ele gosta muito, mas muito de você. Porque se tem uma coisa que o touro defende é o seu dinheiro.
Coincidentemente, todas as minhas viagens internacionais (menos Ibiza, lógico), foram bancadas por dinheiro taurino. Mas paguei tudo, viu?Até porque se que não pagasse, eles cobrariam.
Touro ama prazeres: Sexo, comida e dinheiro.
Um taurino sem sexo fica amargo.
Um taurino sem dinheiro fica mau humorado.
E um taurino sem janta, quebra a casa toda.
Mas é mais que isto. Seu dinheiro tem que significar contas pagas, e algum investido. Ele adora ligar nos banklines da vida, para ver o quanto tem, o quanto rendeu, o quanto sobrou. Ama cheirar notas novinhas. Não confia muito em débitos automáticos. Bom, nem eu.
O sexo do taurino não pode ser qualquer sexo. Não gosta de ‘rapidinhas’. Este papo de ‘ali na escada de incêndio ‘ ou ‘vamos ali atrás da moita’ ele não gosta. Gosta do sexo lento, em uma cama boa, sem demora, e ama sexo oral. E cuidado com o beijo taurino. Apaixona!
E ama comida decente. Não me venha com sanduíches, Big Mac’s. Ele quer arroz, carne, feijão, mistura, salada, sobremesa, talher, suco, aperitivo, bebidinha. Não me venha com misto quente e Tang uva.
O touro também é ciumento demais. E odeia ser ciumento. E sua vontade de não ter ciúme é engraçada, porque transparece.
E odeia perder as coisas. O casamento pode estar ruim, ele vai demorar em abandonar, se abandonar. Então, se você for amante dele, sempre será a amante. Mesmo ele te amando mais que a oficial. Mas o legal, é que ele costuma ter a oficial e a esposa. Não galinha por aí. Tem preguiça de caçar. Que bom…
O complicado é que o planeta que o rege é Vênus. Então se o taurino não for lindo, é no mínimo sexy. E se não for bonito, é rico, o que para muitas mulheres é o mesmo que bonito.
A mulher taurina é muito, mas muito feminina. Mas é firme e teimosa. Sempre trabalha muito, adora a boa vida e trabalha muito para isto, porque ama o conforto. Se tiver uma taurina morando em uma pensão com mais oito no quarto, a cama dela, no beliche vai ser a de lençol mais limpo, sua toalha será a menos encardida e seu sabonete o mais cheiroso.
A taurina ama namorar, mas como pensa em relação sólida, escolhe bem e avalia se o moço tem futuro na repartição em que trabalha.
Se a taurina namorar um desempregado é porque caiu nas mãos de um sagitariano safado e bom de cama, ou de um leonino xavequeiro que sabe falar baboseiras a luz do luar e da poluição ou de um pisciano com olhar distante e mãos espertas. Mas mesmo assim, ela sempre terá um trocado na manga. E na barra também.
Se você conhecer um taurino negativo, cuidado. Ele vai te massacrar. E o pior, nem vai se comover. Lembra-se? Ele é um egoísta.
Quer feri-lo? Fique mais rico que ele. Viu como é difícil atingi-los?
Ah, grandes gigolôs e cafetinas são de touro. Só perdem para o povo de peixes. Ah, taurinos não acreditam muito em signos. São mais “pés no chão”. E que pés eles tem…
E vamos que vamos…

quarta-feira, dezembro 11, 2013

Republicar "Crimes perfeitos"


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Por tantas razões, que nem consigo começar a escrever. Há um cansaço de alma profundo, há um não acreditar desesperante. Há aquilo, aquilo e mais aquilo. Não me lembro da última vez que olhei em volta e não vi escuridão. E quando nos vêem como pessoas fortes, raramente alguém nos acode. Mas a rocha também quebra. Hoje, só hoje, vou quebrar. Amanhã ponho-me de pé, outra vez.

domingo, outubro 20, 2013

Republicar "O Bom, o Mau e o Vilão"


Boa tarde, como está, estou a ligar em má altura? 
Quem fala? Sou eu, o seu gestor de silêncios. 
Ah, olá, passa-se alguma coisa? 
Tem a ver com a gestão do seu saldo. 
Hmmm, algum problema? 
Recebemos um alerta automático...e quando assim é, sou obrigado a avisá-lo. 
Fiz alguma coisa que não devia. 
Bem, temos registo de alguns silêncios desconfortáveis e também vários depósitos de palavras contidas. 
Ok.... 
Vê, é isto a que me refiro, como seu gestor, devo aconselhá-lo a dosear melhor o seu silêncio. 
Certo, mas o silêncio não é de ouro? 
Exacto, por isso é que não deveria andar a gastá-lo nos sítios errados. 
E o que é que isso quer dizer ao certo? 
Quer dizer que só posso aconselhá-lo em relação ao seu silêncio, não à sua conduta. 
Ah, isso já cai fora da vossa jurisdição, é por aí? 
Exacto, talvez deva experimentar ligar para o Departamento de Sensibilidade, Bom Senso e Orgulho? 
O Orgulho também é desse departamento? 
Agora é, sabe como são as coisas, estão a fundir departamentos. 
Certo... 
Só mais um conselho. 
Diga. 
Não abuse das reticências, que eu depois passo o dia inteiro a receber notificações com alertas por causa disso.

terça-feira, outubro 08, 2013

Republicar "Também quero um blog"

Só têm de aprender a distinguir os momentos em que elas precisam de ser protegidas e de sentir-se seguras que aconteça o que acontecer vocês vão lá estar dos momentos em que é extremamente necessário que se sintam livres de sozinhas tomar decisões capazes de mudar o mundo. Só têm que saber distinguir os momentos em que se sentem sozinhas apesar de estarem rodeadas de pessoas dos momentos em que só precisam de um pouco de solidão e silêncio. Só precisam saber quais são os dias em que têm de dizer-lhes que são lindas e os dias em que não vale a pena dizer-lhes nada porque elas sabem que são a mais bonita. Só precisam de saber quando um abraço ou um beijo são capazes de resolver todos os problemas delas e quando elas simplesmente não têm problemas ou resolvem tudo sozinhas porque são capazes de dominar o mundo. Só têm que saber distinguir um sorriso sincero de um sorriso forçado e cansado, só têm que procurar um brilho ou uma sombra no olhar e fazê-las acreditar que são os únicos capazes disso. Só precisam saber distinguir os dias em que a maior necessidade delas é um simples chocolate dos dias em que precisam desesperadamente de uma dieta. Só precisam saber os dias exactos em que elas são capazes de ver um filme de acção ou os outros, aqueles em que têm de escolher uma comédia romântica. Só precisam saber os dias em que é necessário ir com elas comprar uns sapatos, ou correr, ou andar de bicicleta ou levar-lhe flores e um livro, preparar-lhe o jantar ou levá-las a jantar fora. Só precisam distinguir os dias em que elas querem fazer amor dos outros, em que o que elas precisam mesmo é de fazer sexo. Depois disso, meus senhores, vão ver que afinal é muito simples compreendê-las.

quarta-feira, outubro 02, 2013

Republicar "Crónicas Rosa Cuequinha"

Na nossa cabeça matamos muitas vezes os nossos pais. É o que se faz, quando se ama tanto e, simultaneamente, amadurecemos a ideia de que eles não estarão lá para sempre. Então, matamo-los precocemente na nossa mente, num desejo infantil de poder ter alguma preparação. Talvez as outras pessoas não o façam e seja só eu que tenha esta estúpida ideia de que se me focar nisto, um dia não serei uma daquelas pessoas desfeitas por dentro à frente de um caixão que encerra em si não só uma vida que já não é, mas uma parte de nós, que nunca se vai recuperar. É mórbido este exercício mental, mas à medida que o tempo avança e que a fragilidade dos nossos super-heróis se aproxima, serve-me de consolo poder dizer mais um olá carinhoso quando pego no telefone para ouvir a voz do outro lado e saber que não é a última. Aprendemos muito sobre nós nestes exercícios mentais e sobre a pessoa que os nossos pais ajudaram a moldar, muito além das falhas que possuímos à primeira vista. Eu sei que penso sempre que tenho de ser mais expressiva. Que da próxima vez vou dizer amo-te muito. Só que essa vez vai sendo adiada e substituída por um olhar, um gesto ou um abraço. Como se esse amo-te muito fosse diminuir o somatório de amo-tes que ainda tenho para dizer e eu ainda quero dizê-los muitas vezes, tantas, que deixo-o sair-me pelos poros, ao invés da boca. Sonho muitas vezes com o dia em que alguém me telefona e dá uma notícia terrível e eu choro muito e digo sempre que não quero calmantes e que não quero ajuda para organizar nada e que a minha vontade é esquecer-me que o resto do mundo sentirá a falta deles, porque eu irei senti-la muito mais. É. É mórbido este exercício do inconsciente, muito porque alémd e mórbido pauta-se pela estupidez e por nada adiantar. 
Ainda assim, adianta-me a mim, recordar-me que isto que faço não é o certo, que o certo é dizer e dizer quantas vezes me forem possíveis, de todas as maneiras que aprendi e outras tantas que hei-de inventar.

terça-feira, maio 07, 2013

Republicar "Sinto-te a falta"


Do coração



Sou pessoa de beijos e abraços, de cabeça no ombro e mãos entrelaçadas, de mimo e carinho, de sorrisos doces e olhares certeiros. Sou de toques, de contacto e de cheiros, de sentimentos exagerados e desproporcionais. Sou dos silêncios que dizem tudo e das palavras sussurradas ao ouvido, dos sonhos e desejos que teimam em ser inalcansáveis, de gostar do impossivel. Sou de extremos, de gostar a sério, do tudo ou nada, de amar cada momento, de dar tudo o que tenho. Sou das mensagens de bom dia e dos beijos de boa noite e nos entretantos ser conquistada over and over again. Sou pessoa de esconder o que sinto, de guardar e prender, amarrar e fechar a cadeado. Sou de sentir a falta, das saudades que fazem doer, que parecem arrancar o peito, que magoam mais que tudo e deixam marcas que não saram. Sou de medos e erros, asneiras e indecisões e de querer sempre voltar atrás. Sou pessoa de lágrimas, muitas, bem ao estilo drama queen. Sou de destilar veneno e de fazer birras, de ciumes incontrolados, de obsessões e de agarrar sem querer largar. Sou de fazer filmes, de imaginar o que não existe e de insistir no que tem prazo de validade a expirar.

domingo, março 17, 2013

Republicar "Cleopatra Moon"

ninguém diz como




ninguém nos diz como se sobrevive ao murchar de um sentimento 

Arrumei os amores, é a primeira regra da vida – saber arquivá-los, entendê-los, contá-los, esquecê-los. Mas ninguém nos diz como se sobrevive ao murchar de um sentimento que não murcha. A amizade só se perde por traição – como a pátria. Num campo de batalha, num terreno de operações. Não há explicações para o desaparecimento do desejo, última e única lição do mais extraordinário amor. Mas quando o amor nasce protegido da erosão do corpo, apenas perfume, contorno, coreografado em redor dos arco-íris dessa animada esperança a que chamamos alma – porque se esfuma? Como é que, de um dia para o outro, a tua voz deixou de me procurar, e eu deixei que a minha vida dispensasse o espelho da tua?... 

Inês Pedrosa

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Republicar "We'll always have Paris"

O fim


Não é preciso mais desculpas. Há que encarar os factos. Chega o dia em que o amor acaba. Finito. The end. E essa sim, é a verdadeira razão para o término das relações. Não é por surgir alguém mais interessante, por irmos viver para outra cidade a km de distância, nem tão pouco por querermos estar sozinhos nesta nova etapa da vida. Todas estas desculpas que damos a nós próprios - estejamos nós em que papel estivermos na relação que agora finda - são apenas uma, ou várias, das muitas desculpas para a verdadeira realidade - a morte do amor. Talvez porque o amor seja um saldo que se esgote, talvez porque as relações necessitem de um esforço mútuo contínuo, talvez porque as pessoas por quem nos apaixonamos - ou a imagem que construímos delas - acabam um dia por morrer. E com elas, o amor. 
 Não ocorre de um dia para o outro, não. Também ninguém se apaixona de um momento para o outro. O desejo sim, nem sempre; a mim excitam-me as pessoas inteligentes, por isso talvez goste de pessoas caladas. E com óculos, mas isso talvez seja por querer que me vejam melhor. Também o amor quando morre vai desfalecendo, um sufoco imperceptível, sou eu que não quero perceber os sinais - já não me olha nos olhos quando diz que me ama, agora já nem diz, o sexo tornou-se numa actividade mecânica, marcada pelo compasso do relógio à espera que algo aconteça como que por milagre, a cumplicidade deixa de existir nos pequenos gestos, há quanto tempo não me deixas escrito um bilhete dentro da minha pasta? 
O amor morre. Não tenhamos medo, não arranjemos mais desculpas para o nosso fracasso, o excesso de trabalho, o nascimento dos filhos, a boazona do decote pronunciado, o colega carente e mal fodido. Foram precisos... dez? dez anos para meter na cabeça que o amor acaba. Finalmente posso terminar aquele dia de Setembro (ou foi Agosto?) - talvez antes até, eu estava de manga curta, sem mangas, sem roupa, sem ti, o meu mundo tinha acabado e eu tinha tido o meu primeiro grande desgosto de amor. Hoje, volto a casa, a outra casa, nunca conhecerás esta casa. Deito-me na cama, sei que me deixaste de amar. Apago a luz e sei que já nada disso me importa.

domingo, janeiro 20, 2013

Republicar "Não compreendo as mulheres"



Conheci a única mulher com quem tive filhos na porta da casa de banho de um café. Dito assim pode parecer estranho, mas é verdade. Foi há muitos anos, no café Palácio em Aveiro. A casa de banho dos homens estava ocupada e fiquei à espera na entrada, talvez uns dois minutos. Ela estava numa mesa próxima e começámos a falar um com o outro.
Isto não é importante, mas penso muitas vezes como teria sido a minha vida se nessa noite não tivesse ido à casa de banho daquele café. Muito diferente, certamente. Não tinha passado dezasseis anos com ela e a minha filha não existia. Talvez nem tivesse filhos, mas se tivesse seriam outros. 
Não acredito no destino, mas acho mesmo muito interessante a forma como a probabilística nos molda a vida. A maior parte do tempo nem pensamos nisso, mas pequenas coisas sem importância nenhuma podem mudar significativamente o rumo da nossa vida.

Estava a detestar a sensação de ver os assuntos entre nós morrer rapidamente. Eu dizia qualquer coisa e ela nunca tinha resposta. O mesmo se passava no sentido inverso. Era como se a nossa conversa fosse composta por peças de puzzles diferentes. Estava a detestar o facto, principalmente porque sabia que a Irina era mulher para se levantar e ir embora ao mínimo suspiro. É que a mim agradava-me estar perto dela, mesmo quando as conversas não passavam de meras tentativas de encontro, e aquele fim de tarde no café estava a saber-me bem.
Eu estava a folhear o mesmo jornal pela quinta ou sexta vez, apenas para justificar a minha presença ali. Assim, evitava estar a olhar para ela frente a frente, sem termos nada que dizer um ao outro. Acho que ela se apercebeu, porque a certa altura passei três ou quatro folhas sem sequer olhar para elas. Foi então que se referiu a um livro qualquer que andava a ler (não me lembro do autor nem do nome) em que duas pessoas se apaixonavam na porta da casa de banho dum café.

- Na porta da casa de banho dum café?! - Perguntei. - Foi assim que conheci a minha ex-mulher...
- Que lindo! E também decidiram fazer uma viagem os dois até um país distante?
- Não. Decidimos tomar café uns dias depois. Porque é que eu havia de fazer uma viagem com uma pessoa que eu mal conhecia?

Senti o peso do olhar desiludido da Irina por, mais uma vez, ter estragado uma conversa que estava a começar. A ela apetecia-lhe falar sobre uma surreal aventura amorosa qualquer, eu estava muito terra-a-terra nesse dia. Ela acabou, uns cinco minutos depois, por se levantar e despedir-se.

- Vou andando! - disse.

Pedi uma cerveja e fiquei ali mais uma meia hora sem fazer nada de interessante. Uma espécie de meia hora vegetativa a ter pensamentos que eu próprio não poderia descrever, como se não fosse eu a tê-los realmente e não passassem dum ruído de fundo qualquer. Do televisor, por exemplo.
Uma mulher entrou no estabelecimento e foi directamente à casa de banho. Ao abrir a porta bateu de frente num homem que ia a sair. Ficaram ali uns segundos a falar um com o outro e depois acabaram sentados ao balcão, lado a lado. Primeiro com um banco de intervalo entre eles, depois ele moveu-se para mais perto dela. Pareceu-me que era a primeira vez que estavam a falar, mas talvez já se conhecessem.
A minha coincidência desse dia foi outra. Se a Irina tivesse ficado mais algum tempo no café, talvez tivesse visto aquela cena e teríamos certamente motivo de conversa. Talvez ficássemos o dia todo um com o outro, jantássemos juntos, bebêssemos um copo num bar pouco frequentado ou fôssemos ao cinema. Não aconteceu. Acho que passei a vê-la com menos frequência desde esse dia.
Nunca consegui contar-lhe isto, principalmente porque sempre achei que ela ia pensar que eu estava a mentir.

sexta-feira, dezembro 21, 2012

Republicar "O Bom, o Mau e o Vilão"

Carta aos Srs. maias do fim do mundo



Exmos. Srs. Maias, 

 A vossa preguiça em comprar um calendário novo levou-vos a determinar o fim do mundo para antes do Natal, mais precisamente 21. Não querendo eu comentar o facto de isso, a par da crise em Portugal, não ter desmotivado em nada a correria a certas superfícies comerciais, queria no entanto solicitar a título pessoal alguns esclarecimentos adicionais. 

 Primeiro que tudo, gostaria de saber se a coisa já tem hora marcada, uma vez que tenho planos para a hora do almoço, para o fim da tarde e até para a noite, alguns deles envolvendo conciliação de agendas e esforços de comunicação. Um fim do mundo marcado para as 11 da manhã simplificará tudo o resto, mas um fim do mundo às 21h15m implicará adiantar o jantar uma hora, para que não corra o risco de desaparecer antes de chegar a sobremesa. 

 Em segundo lugar, seria interessante saber se a coisa se processa como no fim de ano, com os nossos noticiários a mostrarem à hora do almoço os melhores momentos da destruição do Oceania e termos o conforto que sermos dos últimos em quase tudo nem sempre ser mau sinal. 

 Finalmente, caso o fim do mundo seja adiado ou cancelado no geral por algum motivo, gostaria de saber se pelo menos se que a coisa se pode manter para aquela senhora da televisão que usa o vosso nome, a Maya. Sei que pode parecer um triste consolo, mas sempre seria uma forma de trazer alguma paz às manhãs da televisão portuguesa. Como é óbvio, agradeço resposta antes de dia 21. 

Cumprimentos, Mak

domingo, novembro 25, 2012

Republicar "Não compreendo as mulheres"


pensamentos catatónicos (285)


O capitalismo é a antítese do Amor. 
As pessoas casam-se para pagarem a conta da luz, da água e do gás a meias. Dizem que a vida vai mais ou menos quando conseguem manter a prestação do carro e da casa. Sorriem quando lhes é perguntado se têm as contas em dia, abanam os ombros descontentes quando lhes és perguntado se ainda estão apaixonados um pelo outro. 
 Do Amor pode-se abdicar, do pagamento das contas não. O Amor até é dispensável, a contabilidade é que não. Somos geridos com falta de Amor e é com ele que pagamos a factura dessa asneira. O problema é que é mesmo assim porque escolhemos viver assim. 
Os Amantes deixaram de perceber que a forma como decidimos distribuir a riqueza que um país produz é uma concepção. O Amor, pelo contrário, é um impulso natural. Apaixonamo-nos e pronto. Nem sequer sabemos porquê. 
Pelo contrário, sabemos muito bem porque é que pagar as contas é difícil. Decidimos que nesta vida é cada um por si e outros que se fodam. A não ser, claro, que o outro esteja casado connosco. Mas aí não é um Amante, é um sócio de capital. Podíamos ter uma lógica em que todos pagavam as contas de todos. Pelo menos aquelas que são essenciais: a da água, a do gás, a da electricidade, a da saúde, a da educação e a da mobilidade. Ficávamos todos com disponibilidade para nos apaixonarmos. Mas não. Cada um por si significa que ninguém é por ninguém, e que um destes dias ninguém consegue pagar contas. Quando esse dia chegar, também ninguém conseguirá Amar.

sexta-feira, setembro 14, 2012

Republicar "Não compreendo as mulheres"


Uma criança de cerca de quatro anos de idade pisou-me hoje, no metro do porto, enquanto saltava sozinha, num jogo qualquer próprio da infância. Ao seu lado ia a sua família, tão numerosa quanto silenciosa. O pai pegou-lhe delicadamente num dos braços e mandou-a pedir-me desculpa. A mãe gritou com o pai logo a seguir."Não faças isso à menina", disse.

A criança ficou perdida, talvez com algum receio de vir pedir desculpa a um monstro de um metro e oitenta e quatro com um capacete de ciclista na cabeça. Olhava para mim de lado, com a mão pequena quase toda dentro da própria boca. Pisquei-lhe um olho. Ela voltou a sorrir.

Saíram algumas estações antes de mim e fiquei a vê-los pela vidraça. Lá fora as crianças dispersaram dentro dum certo limite, como se orbitassem num caos à volta dos dois adultos, que deram um beijo e se abraçaram num gesto notoriamente reconciliador. 

Os gritos são sempre surpreendentes numa relação, porque o são entre quem supostamente se Ama. São, assim, uma contradição em si mesmos. Quando aqueles dois pais começaram a namorar, suponho que há muitos anos atrás, ela não gritava com ele assim. De certeza. No princípio de qualquer relação, o próprio Amor trata de afogar esse tipo de impulsos. É com o tempo que eles vão emergindo de novo e passam a boiar entre beijos, doces trocas de olhares, abraços e sexo.

Os gritos por impulso são como pregos nesse grande balão de hidrogénio que é o Amor entre duas pessoas. Às vezes o balão acaba por cair. Outras vezes não. Por qualquer motivo olhei para aquele pai e para aquela mãe e, só em pensamento, desejei-lhes sorte. Que o balão não caia.

domingo, setembro 09, 2012

Republicar "O diário de Domingos Amaral"


Os homens "amorosos"

A pior coisa que as mulheres podem dizer de um homem não é que ele é um cabrão, um egoísta, um mulherengo, nem sequer um paneleiro. A pior coisa que as mulheres podem dizer de um homem é que ele é "amoroso". Se algum dia uma mulher disser isso de um homem, tal significa que ele não tem qualquer hipótese com ela, que não sente um pingo de desejo por ele e já o colocou na gaveta VSSA (Vamos Ser Só Amigos). Se uma mulher disser que um homem é um egoísta ou um cabrão, isso significa que ele já a comeu, uma ou mais vezes, mas não está a fim de a comer só a ela e quer andar na boa a comer outras. Se uma mulher disser que um homem é um mulherengo, isso quer dizer que tem vontade de o comer, mas também receio. Até se decidir, ela vai andar sempre com um pé atrás e outro à frente, em luta entre a força carnal e a força mental, e por isso vai dizer que ele é um mulherengo, como quem diz "estou doida por te saltar para a espinha mas tenho um terror de morte pois acho que me vais deixar logo depois de me foderes". Quando uma mulher diz que um homem é paneleiro, ela diz isso com alguma pena mas sem qualquer raiva, pois para ela já não conta como hipótese de cama. Agora, mau mesmo é ser "amoroso". Ser "amoroso" é pior do que ser paneleiro, porque o paneleiro não é sequer considerado, e o "amoroso" é considerado por uns minutos e depois é desconsiderado, pois não tem qualquer ponta por onde se lhe pegue, a não ser a amizade, que neste caso se limita a uma espécie de prémio de consolação. Um gajo "amoroso" é um gajo que não dá tesão às mulheres, não lhes causa fraquezas nos joelhos, não provoca nós nas gargantas nem dores de estômago. É uma simpatia doce, um urso de peluche com pilhas permanentes, mas que para mais não serve. Ser "amoroso" é o fim da linha, é o desastre maior que pode acontecer a um pobre homem que goste de mulheres. Eu não sei com quem os amorosos acabam por namorar (provavelmente com a raríssima espécie, quase em vias de extinção, das "mulheres amorosas"), mas sei que raramente seduzem mulheres interessantes, giras e vivaças. E sabem porquê? Porque os amorosos anulam o seu instinto sexual! Na ânsia de serem gostados esquecem-se de ser homens, assexuam-se socialmente na presença das mulheres, e o resultado é um desastre: as mulheres gostam deles mas só para companhia, o que significa que se calhar mais valia serem gays. Pelo menos assim comiam alguém.

quarta-feira, agosto 29, 2012

Republicar "Não Compreendo as mulheres"


respostas a perguntas inexistentes (217)


Éden 

Nunca verbalizámos o Amor. A primeira vez que abri a boca para lhe dizer que a Amava ela tocou com o dedo indicador da mão esquerda nos meu lábios, encostando um ao outro como se os quisesse coser com um único ponto. 

 - Chiu! 

Depois beijou-me e fizemos Amor. 
A partir daí não precisou mais de usar os dedos. Quando eu falava em nós, tentando dar existência a essa primeira pessoa do plural, ela mudava de expressão. Passou a bastar-lhe o olhar para me silenciar. 
Uma vez, por fim, explodi. Não com ela, mas com a situação. Foi como se as palavras que eu engolia há meses me tivessem provocado uma congestão. Vomitei-as, dizendo-lhe que a Amava. Só que o Amor nunca pode ser um vómito. 
Depois beijei-a e não fizemos Amor. 
Naquele tempo o corpo dela era o meu Éden, uma extensão de vales e montanhas perfumadas onde tudo, menos falar de Amor, me era permitido. E foi assim que fui expulso.

sábado, agosto 25, 2012

Republicar "Cleopatra Moon"


Assim me faço ao sono




"Tenho um decote pousado no vestido e não sei se voltas,   mas as palavras estão prontas sobre os lábios como   segredos imperfeitos ou gomos de água guardados para o verão.   E, se de noite as repito em surdina, no silêncio   do quarto, antes de adormecer, é como se de repente   as aves tivessem chegado já ao sul e tu voltasses   em busca desses antigos recados levados pelo tempo:

Vamos para casa? O sol adormece nos telhados ao domingo   e há um intenso cheiro a linho derramado nas camas.   Podemos virar os sonhos do avesso, dormir dentro da tarde   e deixar que o tempo se ocupe dos gestos mais pequenos.

Vamos para casa. Deixei um livro partido ao meio no chão   do quarto, estão sozinhos na caixa os retratos antigos   do avô, havia as tuas mãos apertadas com força, aquela música que costumávamos ouvir no inverno. E eu quero rever   as nuvens recortadas nas janelas vermelhas do crepúsculo;   e quero ir outra vez para casa. Como das outras vezes.

Assim me faço ao sono, noite após noite, desfiando a lenta   meada dos dias para descontar a espera. E, quando as crias   afastarem finalmente as asas da quilha no seu primeiro voo, por certo estarei ainda aqui, mas poderei dizer que, pelo   menos uma ou outra vez, já mandei os recados, já da minha boca ouvi estas palavras, voltes ou não voltes."

Maria do Rosário Pedreira

sábado, julho 28, 2012

Republicar "Não compreendo as mulheres"


a mulher-objecto

Os objectos são todos estúpidos. A maior parte das vezes não nos apercebemos dessa estupidez latente em tudo o que nos rodeia e não vive, e quando nos apercebemos é demasiado tarde. É o Amor, ou a falta dele, ou a confusão nele, que nos faz sentir a estupidez dos objectos.
O problema é que nós sentimos sempre alguma coisa pelos objectos, nem que seja desprezo, e os objectos nunca sentem nada por nós. Este desequilíbrio da vida começa logo quando ainda somos crianças e decidimos dormir com um objecto qualquer. Adoptamos um urso de peluche, por exemplo, e fazemos tudo por ele durante anos a fio. Aguentamos firmes uma infância inteira, sempre leais, e quando finalmente os nossos pais, já preocupados com a nossa criancice aguda, nos separam à força, somos sempre nós que choramos. Nunca ele.
Hoje sentei-me no estúpido do meu sofá, por exemplo, com as mãos na cabeça e preocupado com a minha vida. Depois levantei os olhos e estavam todos na mesma, os objectos. A minha caixinha de música à espera que lhe desse corda, o televisor desligado e os sapatos amontoados a um canto da sala.
Os objectos fazem-nos perceber a nossa própria insignificância. Estão sempre na mesma, demonstrando que o mundo existe para além de nós, do que sentimos e de quem Amamos ou odiamos. A maior parte das vezes não nos damos conta disso, e quando damos é demasiado tarde. Para nós, não para os objectos.
Acho que é daí que vem a expressão mulher-objecto. Acabei de a ouvir, vinda amargurada da boca dum amigo meu. Dizia ele, enquanto virava as páginas duma revista qualquer com mulheres bonitas, que detesta mulheres-objecto. Eu percebo-o. Mulheres-objecto são aquelas por quem sentimos alguma coisa mas que se estão nas tintas para nós. São objectos, só porque nos fazem perceber a nossa própria estupidez e insignificância.

quinta-feira, julho 26, 2012

Só na América!!!


Chama-se Stubbs e é Presidente da Câmara de Talkeetna há 15 anos, uma pequena cidade do estado norte-americano do Alasca. O felino foi eleito há 15 anos atrás, numa altura em que os habitantes estavam fartos das falsas promessas dos políticos locais, e por brincadeira colocaram o Stubbs no boletim de voto e o gato acabou mesmo por vencer as eleições.
Durante estes longos 15 anos, o Stubbs serviu basicamente como atração turística da cidade, pois todos os turistas querem conhecer o animal que lidera a presidência da câmara de Talkeetna.
Segundo o relato de uma habitante de Talkeetna à Central Kentucky News, este é o melhor presidente da câmara que a cidade alguma vez teve.

sábado, junho 09, 2012

Republicar "Não compreendo as mulheres"

respostas a perguntas inexistentes (209)

Paralisia "distancial" 
O meu Amor pela Raquel sofre de Paralisia "distancial". O que é isso? À medida que a distância entre nós aumenta, eu vou-me sentido mais limitado nos movimentos. Por exemplo, estou em casa e dou por mim com a cabeça aninhada entre as mãos, sem vontade sequer de pegar no copo de uísque à minha frente que já enchi há mais de vinte minutos. Ao lado do copo tenho o telefone mas, apesar da vontade, não lhe telefono mais. Já o fiz hoje umas dez vezes, sempre para lhe dizer o mesmo. Que a Amo.
Se eu me visse assim, sozinho em casa sem vontade de nada, dava-me um pancadinha nas costas e convidava-me para sair, beber um copo por aí e dar dois dedos de conversa comigo mesmo. É o que faço às vezes. Foi o que fiz ontem. No princípio as pernas pareciam com pouca vontade de andar, mas depois lá acabaram por ceder.
Acabei num café dos subúrbios com um televisor bêbado aos gritos para mim e mais três homens também sozinhos, cada um na sua mesa, cada um com a sua bebida. Eu a beber Bushmills, outro a beber cerveja de garrafa, outro cerveja de pressão e outro um licor qualquer. Todos me pareceram homens exageradamente sós. Eu também, apesar de saber que não o sou.
A minha Paralisia "distancial" acabou aí, nesse preciso momento, pouco antes da empregada começar a varrer o chão e nos expulsar delicadamente a todos. Levantei-me com energia, paguei os dois uísques sem gelo e fui dar uma volta a pé pela cidade de Aveiro, já quase deserta de vida. É bom sentirmo-nos sós sabendo que não o estamos, pensei.  É bom perceber que por trás de cada história de solidão há sempre uma mulher.