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sábado, abril 09, 2016

A vida é uma viagem.

A vida é uma viagem, não um destino. Não adianta nos apressarmos a chegar porque é a bagagem que adquirimos pelo caminho que realmente interessa. Construímo-nos passo a passo, aprendemos com cada erro, com cada queda, com cada fracasso, ficando sempre a lição que de lá tiramos. E a experiência faz-nos crescer, melhorar, sermos mais nós. Às vezes mãe, outras vezes, madrasta, a vida leva-nos, inexoravelmente, por caminhos pelos quais nunca pensámos ir, guiando-nos através das experiências que vivenciamos. E, tal como um mero peão, deixamo-nos ir, e o que vier, bom ou mau, será a bagagem que nos fará chegar ao nosso destino. E, desta forma, por muito diferentes que possamos ser, caminhamos todos para o mesmo sítio e só nos encontramos no final.

domingo, abril 03, 2016

A estupidez humana.

A estupidez humana, como o universo, é infinitamente infinita. Alarmantemente, parece crescer de dia para dia, de pessoa para pessoa, como se fosse contagiosa. E é! Tal como uma erva daninha, ela instala-se, cresce, e espalha-se pelo jardim, minando tudo o que de bom lá existe. E por mais inteligente que uma pessoa seja, não há como se proteger deste vírus, ele está por todo o lado.

sexta-feira, abril 01, 2016

Inspiração.

A inspiração. Aquela musa que nos foge. O sentimento de tanto para dizer e a frustração de não ter nada para escrever. Ou ter, mas nada sair da ponta da caneta, como se a tinha falhasse. É angustiante esta necessidade de falar com a voz presa na garganta. Querer gritar e nada sair, ficar mudo. Esgotar-se-nos a palavra, de tal modo que pensamos nunca voltar a falar, e calar o que nos vai cá dentro. E fica aquela necessidade de nos expressarmos, de encontrar o desbloqueio, de derramarmos tudo para um simples papel. Como se esse simples papel tivesse capacidades curativas ou como se pudesse consumir todas as nossas mágoas.. como se fosse mais do que um mero veículo de comunicação. Mas independentemente do motivo pelo qual escrevemos, precisamos dela, da inspiração, como precisamos de respirar, para não sufocarmos. Precisamos dessa mulher fugidia que nos inspira.

quarta-feira, março 30, 2016

Desgostos.

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Ainda o trazia debaixo da pele. O cheiro dele ainda se agarrava à roupa e à memória. E tudo o que viveram, jazia ali, nela. Uma vida juntos, acabada num dia, numa hora, num momento… Reduzida a nada, a apenas uma lembrança. Pensara que seria para sempre mas, nada o é, não verdadeiramente. Enganara-se ao pensar que com ela seria diferente. Mas parte dela ainda acreditava no “felizes para sempre”… e toda ela acreditava no amor, naquele amor singular e infinito, naquele encontro de almas perdidas e reencontradas ao longo dos séculos, naquela procura incessante pela outra parte de nós... Mas, neste momento, porém, tudo isso deixara de fazer sentido. O sentimento tinha desmoronado como um castelo de cartas e tudo aquilo em que sempre acreditara era posto agora em causa como se nunca tivesse passado de uma mera inverdade, como se fizesse apenas parte das histórias de criança que tantas vezes ouvira. Questionava-se agora se alguma vez voltaria a sentir-se completa porque sabia que sem amor tudo era tão pouco... e ela precisava de tanto mais. Sabia que nunca se iria contentar com menos do que tudo. Não seria com ele… Mas seria com alguém. Precisava de acreditar que seria com alguém. Precisava de acreditar que voltaria a ser feliz. Escolhia acreditar que o seu destino lhe guardara o melhor para o fim. Não lhe restava acreditar noutra coisa.

terça-feira, março 29, 2016

O passo decisivo.

O dia tinha chegado. Finalmente… Era dia de fazer as malas e perseguir o sonho. Consigo não levava mais do que esperança e três mudas de roupa. Estava prestes a mudar toda a sua vida. Para melhor, queria acreditar, mas mesmo que tudo desse errado, sabia que tinha valido o esforço, que o salto eventualmente acabaria por compensar, nem que fosse pela experiência, única e irrepetível. O que importava era ir, não olhar para trás, e saltar, dar o passo decisivo.  

quinta-feira, março 17, 2016

O fim.

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O fim. O término desta viagem. O começo de outra, com sorte. O ciclo. O voltar ao início. O recomeçar. O respirar e dar o primeiro passo. O descartar do que não interessa e o delinear de um novo objetivo. O deixar o passado e pensar no futuro. Não é fácil. Ninguém disse que era. Mas também não precisava de ser tão complicado, tão difícil, tão doloroso. Podia ser bem mais simples. Porém, é essa dificuldade que nos faz tentar, continuar, seguir em frente, até falhar novamente. E aí recomeçar, até ao fim final. E é esse o ciclo vicioso que nos condena à partida, até não haver mais partidas a haver.

quarta-feira, março 09, 2016

Cheio de nada. Vazio de tudo.

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Era um dia como qualquer outro. Um pouco mais escuro, talvez. Provavelmente seria do peso que na alma trazia… ou seria do tempo? Não, havia um peso. Um peso morto. Um peso pesado. Um peso que o arrastava para os confins da memória, da parte mais escura do seu eu, para um sítio que nem sabia existir mas que nunca estava muito longe. Sempre se sentira um pouco assombrado... algo se movia sob a superfície, quase como que debaixo da sua pele. Sentimento de perda? O que perdera ele? Chegara sequer a perder alguma coisa? Perdera, sem dúvida… Bastava agora saber o quê. Remexeu as memórias, procurando em vão. Recuou aos meandros de si, e nada. Que vazio desconcertante que o preenchia demasiado, cheio de nada e vazio de tudo. A contradição em si mesmo, a dualidade do ser, o desencontro na procura e o desencanto na descoberta (do nada). Nada fazia mais sentido, nada…

terça-feira, março 08, 2016

Vontades.

Ela sabia. Ou desconfiava… Mas nada a preparara para sentir aquilo que agora sentia. Ele ainda não prestara atenção ao rumo do seu relacionamento, andava distraído com o trabalho, e cansado do dia-a-dia repetitivo. A rotina afogava-lhe o sentimento e a ideia de a perder nem se realizara na cabeça dele. Nem reparara como ela andava distante e de olhar vazio e desapaixonado. Sentia-se invisível. Algo estava a morrer dentro dela, faltava-lhe a vontade e até o desejo de ser mais... de amar, de se perder. Ou talvez, fosse apenas a vontade de ser vista.

quinta-feira, março 03, 2016

Destinos.

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Trocaram olhares mas não se mexeram, não tiveram coragem, nenhum ousou sequer quebrar aquela estranha ligação que dois estranhos, sentados, pelo destino, num banco de autocarro, estabeleceram. O acaso ocupou-se de os juntar, mas a paragem dele, já a seguinte, chegava cedo e atrasava-lhe o compasso. Pensou seguir. Pensou ficar. Só sair na paragem certa, não a deixar fugir. Ela, atentamente, observava cada movimento, tentando discernir se era na próxima paragem que ele sairia. Tinha decidido seguir, a paragem dela há muito que tinha passado. Várias paragens se seguiram, sem que nenhum deles se apercebesse que tinham ambos o mesmo destino.

domingo, fevereiro 21, 2016

Uma taquicardia do coração.

O amor é apenas uma taquicardia do coração, uma inundação hormonal do cérebro. Podíamos até comprovar cientificamente que o chocolate pode despoletar exatamente a mesma reação. Porque nada mais é que uma reação química. Nada de metafísico ocorre, nada de espiritual acontece. E o romantismo é apenas uma invenção, mais parte da poesia do que da condição humana, resultante da solidão que normalmente habita em nós, essa sim, bem real. Demasiado até. 

Tudo o resto são racionalizações do imaginário, somatório de desejos e escapatórias desta aterradora viagem que fazemos sozinhos.

sábado, fevereiro 20, 2016

O acaso.

O acaso é uma força tão destrutiva como criativa, que nos leva por caminhos desconhecidos da alma mas que nos dá lucidez de espírito. Dá-nos a esperança da liberdade ilusória que se instala no nosso âmago e nos leva a acreditar no impossível. Torna-nos infinitos nas nossas decisões, porque somos mais sendo menos, ligados a quem foi ou a quem nunca será. Fruto do que se passou ou até mesmo do que se imaginou, faz-nos tropeçar em algo que eventualmente nos vai fazer crescer mesmo que inicialmente nem soubéssemos que o queríamos. E é esta construção de carácter que nos faz ser nós, ser mais perfeitos na nossa imperfeição: sãos na nossa loucura e loucos na nossa sanidade. A transcendermos o que fomos na plenitude do que somos.

quinta-feira, fevereiro 18, 2016

Amo-te.



Amo-te, disse-lhe a medo. 

O tempo distendeu-se infinitamente à espera da reação dela... quase parou, preso à ânsia da resposta que tardava em chegar. Disparou de repente, quando ela devolveu o sentimento na palavra tanto esperada. E o beijo fundiu-os num só como se nunca tivessem sido outra coisa.